O Mal do Facebook

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A sociedade do século XXI sofre de um mal coletivo. Eu o chamo de mal do Facebook.
A "doença" não está relacionada apenas ao facebook, mas resolvi assim chama-la pois essa rede social consegue reunir e resumir todos os sintomas do problema.
A origem deste está situada há alguns anos atrás, no bom e velho Orkut. O orkut iniciou uma nova era nos relacionamentos inter-pessoais. Mais avassalador até mesmo do que a invenção do e-mail, a rede social conseguiu conectar milhares de pessoas em tempo real.
As qualidades do site eram várias: mantinhamos contato mais facilmente com amigos, reencontrávamos velhos colegas, fazíamos parte de comunidades junto com pessoas de interesses em comum, dentre muitas outras.
Mas começava aqui também o fim do ser como um indivíduo. Lentamente, e muito mais acentuado agora graças ao Facebook, não dedicamos mais tempo nenhum à nossa individualidade: estamos 24 horas por dia rodeados de pessoas, supostos "amigos", e não nos desconectamos até a hora de dormir, para depois acordar já plugados novamente.
Além disso, tais sites despertam e incitam sentimentos dos mais negativos nas pessoas. Esse tipo de ambiente propicia propagandas enganosas da vida dos outros. Tudo parece maravilhoso, e as pessoas fazem de tudo para serem donas das melhores vidas. Esse tipo de comportamente desperta inveja, mesmo que sem intenção. Afinal, porque minha vida não é tão boa quanto à de fulano? Como sicrano consegue namorados maravilhosos com tanta facilidade? Porque fulaninho faz tantas coisas enquanto eu só faço estudar?
Esses pensamentos apinham nossas mentes, mesmo que de forma inconsciente. Essa energia nos deixa desestimulados.
Junto com isso, cada vez mais cuidamos menos de nossa saúde. Somos negligentes. Achamos que comer só carboidratos, tomar suplementos e passar horas na academia é sinonimo de saúde. Não fazemos ideia do quanto estamos enganados. Como disse Nuno Cobra, preparador físico formado pela em Educação Física pela USP, pós-graduado em qualidade de vida também na USP, e mentor de atletas e celebridades como Ayrton Senn e Christian Fedipaldi: "Saúde é alegria de viver. É estar encantado com a vida. É ter entusiasmo, energia, vitalidade, disposição. Saúde é um processo de equilíbrio do organismo. São milhões de mecanismos interagindo e movimentando o interior do seu corpo para que tudo funcione adequadamente. A pessoa encantada com a vida tem o cérebro trabalhando na formação de hormônios de altíssima qualidade que vão nutrir a perfeita elaboração química inerna de bilhões de reações que ocorrem no organismo todo o tempo."

Como espero que já tenham percebido, meu objetivo não é pregar o fim deste tipo de site, principalmente porque eu faço uso destes e não pretendo excluir minha conta. A vida não segue a ideia do 8 ou 80. Mas prentendo modificar a forma como o venho usando, e assim quem sabe inspirar outras pessoas a fazer o mesmo. O Facebook e seus primos tem sua utilidade, mas estão totalmente ofuscados pelo uso descontrolado que fazem dele.
Também quero passar uma mensagem: pare de perder tempo! O relógio da vida está em movimento. O ser humano não dedica mais tempo a conhecer a si mesmo, a cuidar de si mesmo, e a curtir cada momento de sua vida.
Esqueça a vida dos outros. Concentre-se na sua! Acha que sua vida nao é tão boa quanto à do vizinho? Bobagem, a vida dele também é repleta de problemas, caso contrário não faria questão de faze-la parecer tão interessante. Pessoas felizes não precisam se exibir, não precisam falar de si mesmas. Pessoas felizes se bastam. Portanto, viva sua vida intensamente, faça aquilo o que quer, respeite quem tanto faz por você, e principalmente não tenha preguiça de viver, pois um dia, as pessoas lamentarão todo esse tempo perdido. Corra atrás dos seus sonhos, e não espere que as coisas caiam do céu, a vida gosta de quem luta por ela. Assim como no amor, lute por aquilo que você ama, e não se intimide, jamais.
Lembre-se: "Sempre que precisar de um estímulo, olhe para trás e veja todas as suas conquistas!"

The Legend of Zelda Ocarina of Time, Link

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

    Começa hoje o projeto Contos e Personagens! Tive essa ideia já faz algum tempo, mas demorou para a primeira publicação sair. A ideia é contar através de desenhos e histórias curtas um pouco sobre personagens de livros, filmes ou jogos que incitam minha imaginação.
    O primeiro personagem que venho aqui descrever é Link, herói do Jogo The Legend of Zelda Ocarina of Time. O jogo foi originalmente lançado para Nintendo 64 e é até hoje um dos mais premiados jogos da indústria de games.
    Como nunca tive um Nintendo 64, não tive a oportunidade de jogá-lo. Recentemente, porém, relançaram o jogo para o Nintendo 3DS. Visualmente muito mais bonito e bem trabalho, estou tendo agora a oportunidade de jogar essa obra-prima da Nintendo.
    A história se passa no reino fictício de Hyrule, uma terra repleta de magia e seres dos mais diferentes. O reino todo é governado por um rei que conseguiu unir todas as raças sob uma única bandeira. A capital e centro do poder é a cidade de Hyrule.
    Vamos então ao projeto em si. Espero que gostem. Boa leitura!
 
"Antes do início do tempo, antes da vida existir, três deusas douradas desceram sobre o nada que hoje é a terra de Hyrule: Din, a deusa do poder, Nayru, a deusa da sabedoria, e Farore, a deusa da bravura.
Din, com seus braços em chamas, cultivou e criou a terra. Nayru despejou sua sabedoria por sob a terra, criando as leis que manteriam coeso o mundo. Farore, com sua alma vívida, fez todas as formas de vida que viveriam segundo essas leis.
Terminado o trabalho, as três grandes deusas partiram para os céus.
No lugar de onde partiram as deusas foram deixadas três relíquias sagradas, três triângulos dourados, que juntos formam o que se chama de Triforce.
O lugar onde repousa a Triforce passou a se chamar The Sacred Realm, o Reino Sagrado.
Desde então, a Triforce tornou-se o único elo entre os deuses e nosso mundo."


    Antes de Hyrule ser uma única nação unida, antes do rei unir todas as tribos e raças sob a bandeira da família real, houve uma terrível guerra.
    Link nasceu em meio a esse terror. Fatalmente ferida, sua mãe o deixou na Floresta Kokiri, numa tentativa desesperada de salvar a vida do filho. Link é então criado pelos Kokiri.
    Os Kokiri são os habitantes da floresta. Tem sempre uma aparência de criança, apesar de muitos terem centenas de anos.
    São extremamente ariscos e acreditam que aqueles que abandonam a floresta nunca mais retornam com vida, por isso nunca abandonam a segurança de seus lares.
    O guardião dos Kokiris é a Grande Árvore Deku, um antigo espírito da natureza que vive em uma árvore. Foi a Grande Árvore Deku que adotou Link e o fez ser acolhido dentro da floresta. 
    Os habitantes de Hyrule acreditam que os Kokiri são espíritos da floresta criados pela própria Deku, mas na verdade são crianças que se perderam e foram transformadas devido a energia mística que impregna a região.
    Cada Kokiri possui uma fada. Cada fada cumpre um papel de pai e amiga na vida de cada criança Kokiri. Link é o único que não possui uma fada, justamente por não ser um Kokiri nativo, e por isso é visto como um estranho mesmo entre seus amigos.

PS: No desenho, Link, já devidamente armado antes de partir em sua jornada, com Navi, uma das fadas da floresta. Em cima, Link tocando sua Ocarina.

Valente

terça-feira, 16 de outubro de 2012

    Gosto bastante de animações, principalmente as feitas pela Pixar. Valente, no entato, não tinha chamado muito a minha atenção. Mas o que passou despercebido por mim não escapou da atenção da minha namorada, que me chamava pra ver o filme desde a época de lançamento nos cinemas. Lembro que até chegamos a ir ao Cinemark com esse objetivo, mas por algum motivo que agora me falha a memória, acabamos não assistindo.
    Depois de todo esse tempo, acabei baixando o filme pra assistir com ela, e achei o filme melhor do que eu esperava.
    A primeira princesa da história da Pixar se chama Merida, que com seus cabelos ruivos e encaracolados prefere seu arco e flecha às obrigações da coroa. Obrigações essas impostas por sua mãe Elinor, que acredita que o futuro da filha depende de suas boas maneiras e criação adequada para uma rainha. E é esse conflito entre mãe e filha que guia o filme do começo ao fim, e é ele o responsável pelos maiores altos e baixos do filme.
    As questões levantadas no começo da animação são ótimas. Duvido alguém não se identificar com Merida logo no começo da história. Todo mundo um dia já achou que seus pais eram controladores, adultos que não ligam para nossos interesses e que usam de seus próprios métodos pessoais e inflexíveis para nos educar de acordo com o que acham ser o melhor para nós. A sacada do filme é que ele mostra também o lado dos pais, e depois de passado esse 'deja-vú' de nossa adolescencia, passamos até a entender um pouco o lado de Elinor, e quem sabe até mesmo dos nossos próprios pais.
    Merida se recusa a se casar com um dos pretendentes de cada um dos quatro clãs de sua terra. O matrimônio é necessário para manter os votos de lealdade dos clãs com a coroa, mas a princesa não se sente pronta ainda e quer poder traçar seu próprio destino, sem ligar para os tabus de seu povo. Seus atos de rebeldia, no começo, inspiram qualquer espectador, porém, com o passar do filme, começamos a nos perguntar se ela não está sendo também egoísta. Afinal, teve uma vida onde nunca faltou nada e deve tudo isso a sua posição social. A paz do reino e com isso a vida de milhares de pessoas depende de suas atitudes. Admito que até agora não consegui chegar à conclusão de qual caminho seria o mais correto a se tomar por uma pessoa que viesse a se encontrar nesse tipo de situação.
    Abandonando essa questão filosófica, o filme é bom, visualmente muito bonito, passado em alguma  região da Grã-Bretanha, claramente percebível devido ao sotaque acentuado do inglês da versão original, que não consegui identificar.
    Infelizmente, não deixa de cair em velhos clichês do gênero, como o fato de Merida conseguir quebrar todas as velhas tradições de seu povo e com isso mudar o seu próprio destino. Parece que tudo é muito simples.
    Enfim, não é o melhor filme da Pixar, mas também não deixa a desejar. Recomendo.



PS: Não pude deixar de notar a semelhança da bruxa da história com Yasubaba, do filme A Viagem de Chiriro. Diria que são irmãs, só que não.

Altas Aventuras

domingo, 14 de outubro de 2012

Eu me considero uma criança. Não no que diz respeito a minha maturidade.  Nesse ponto, considero minha maior prova de amadurecimento justamente o fato de nunca deixar minha criança interior ser ofuscada pelas frivialidades da vida adulta. Eu sei ser adulto quando é necessário, mas continuo tendo o mesmo encanto com a vida que eu tinha quando era pequeno e totalmente inocente.
Pra mim, o maior responsável pelo surto de infelicidade na sociedade contemporânea é justamente o excesso de esterótipos e falta de encanto com as pequenas maravilhas da vida.
Falo tudo isso porque um filme me despertou todas essas sensações dois dias atrás. Estou falando de uma das últimas e mais aclamadas obras da Pixar: Up - Altas Aventuras.
O título começa contando em poucos minutos como Carl Fredricksen e Ellie se conheceram, casaram-se e viveram juntos harmoniosamente durante décadas; tudo sem falas. Ainda crianças, os dois possuíam em comum o gosto por aventuras e o ídolo, o corajoso explorador de terras Charles Muntz. Quando jovens, o casal planejou uma longa viagem à América do Sul, mais especificamente às Cataratas do Paraíso. Mas, por força do destino, a dupla nunca pôde realizar seu maior sonho. Então Ellie falece, deixando sozinho um rabugento e introspectivo Carl. Com a morte da esposa e uma sucessão de acontecimentos que o obrigariam a deixar sua casa para viver em um asilo, Carl decide finalmente partir para a viagem sempre planejada e jamais executada. Para seu desgosto, acidentalmente leva consigo o pequeno escoteiro Russell. O veículo usado na aventura é a grande atração: a própria casa do velhinho, sustentada por milhares de balões coloridos e controlada por um sistema de roldanas e panos que resultam numa “casa voadora à vela”.
Enquanto o velho viúvo prefere pouca ou nenhuma conversa, o garoto, determinado a conseguir sua última medalha de escoteiro por favores prestados a idosos, é falante, extrovertido e hiperativo. Russell vê tudo com o entusiasmo de uma criança começando uma vida de aventuras; Carl dificilmente se desarma para o mundo, é apegado melancolicamente a um passado que não volta mais. O que une os dois personagens é um tocante sentimento de solidão. Russel demonstra uma comovente necessidade da presença do pai, enquanto Carl está obviamente preso à saudade que sente de Ellie, sua única companhia durante toda a vida. Para suavizar o clima melancólico da história, entram em cena Kevin, uma bela e gigante ave com quem Russell logo simpatiza, e o cachorro Dug, ambos responsáveis pela maior parte das cenas cômicas do longa.
Up é capaz de nos fazer repensar nossas relações com o próximo e os sentimentos que nos fecham para tantas descobertas. Independente da idade que se tenha, é possível escolher entre o entusiasmo de uma criança disposta a descobrir o mundo ou se limitar a viver recusando um mundo de novas experiências.


In the Brightest Day

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

De todos os personagens do primeiro escalão da DC Comics, o Lanterna Verde é o que tem o universo mais complexo. O super-herói, afinal, age ao lado de outros 3.600 defensores da paz na galáxia, a Tropa dos Lanternas Verdes. A trama das histórias vai desde interações sociais na Terra até guerras espaciais entre milhares de combatentes, divididos entre facções multicoloridas que representam espectros cromáticos e emocionais.
De todos os heróis da DC, Lanterna Verde é um dos meus favoritos. O poder desses soldados cósmicos reside em um anel que materializa praticamente tudo o que lhes vêm à mente. A fonte de tanto poder é a energia verde da força de vontade que permeia o Universo. Uma raça alienígena, conhecida como Os Guardiões, cientes da existência dessa energia e de como pensamento e energia podem alterar a natureza da matéria, a canalizaram para criar os artefatos que posteriormente seriam usados pelos Lanternas Verdes que patrulham o Universo, aqui divido em 3600 setores, cada um abrangendo uma infinidade de galáxias e formas inteligentes de vida.
A complexidade só faz aumentar com a existência de outros espectros cromáticos e emocionais de energia, como a energia azul da esperança e a energia amarela do medo.
Depois de toda essa explicação, imagine a minha expectativa com relação ao filme lançado em 2011: o primeiro do personagem em live-action.
Eu não cheguei a conseguir ver o filme no cinema, mas depois de ouvir tantas críticas negativas, acabei o assistindo só agora. E fui bem com o pé atrás. Mas, para minha surpresa, o filme é bem melhor do eu esperava, mesmo que não apresente nada que não já tenhamos visto em outros filmes do gênero.
Eu sei que o filme não surpreende, e que parece apenas mais um filme de super-heróis, mas o diferencial aqui é toda a mitologia da Tropa. Os efeitos especiais melhoram ao longo do filme, e é maravilhoso ver o Planeta de Oa nas telas, imaginativo e muito bem detalhado, assim como as projeções mentais de Hal Jordan com o anel.
Enfim, mesmo nos frustrando um pouco com o filme que é, o super-herói causa certo fascínio e deixa um gostinho de quero mais. Uma franquia com uma produção realmente boa seria interessante.

A Herança

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ao ler Eldest - segundo livro do Ciclo da Herança, iniciado com Eragon - percebemos o quanto o autor amadureceu. Em Eragon, Christopher Paolini, ainda jovem e inexperiente, mostra ao mundo seu talento promissor e joga várias boas ideias, não tão exploradas, apenas para nos introduzir ao mundo da Alagaësia.
É em Eldest que percebemos sua mudança. Ideias são retomadas e começam a ser muito bem desenvolvidas.
A narrativa de Eldest começa três dias após a cruel batalha travada por Eragon para libertar o Império das forças do tirano Galbatorix. Ciente de sua própria fragilidade, Eragon parte em busca de um tal Togira Ikonoka – "O Imperfeito que é Perfeito" –, que supostamente possui as respostas para todas as suas perguntas, junto com Saphira, o dragão azul que o acompanha desde o início da aventura, para Ellesméra, a terra onde vivem os elfos. Lá, eles pretendem aprender os segredos da magia, da esgrima e aperfeiçoar o seu domínio da língua antiga. Em sua jornada, que também é uma caminhada para a maturidade, Eragon descobre que nem tudo sempre é o que parece. Os desafios de Eragon são entremeados pela luta de Roran, seu primo, cuja importância aumentou em relação ao primeiro livro, formando narrativas paralelas que se juntam no fim da trama.
Eldest é um livro extramente filosófico. A maior parte disso se deve ao fato de que nesse volume grande parte da trama está focada no treinamento de Eragon. Há muitos diálogos, questionamentos e reflexões que são válidas não só para o universo criado por Paolini, mas para o mundo real também. Quem quer um livro repleto de ação impensada, talvez venha a se decepcionar. Já para quem gosta de uma boa história, como eu, o livro é um prato feito. Digo, sem medo, que Eldest se trata de uma obra-prima.
Uma das coisas que sempre me chamou atenção nessa trilogia de quatro livros, foram os questionamentos que os personagens se fazem a todo momento. Ninguém, em nenhum dos livros que li, se transforma repentinamente num herói com senso de justiça que sabe exatamente o que deve ser feito. Muito pelo contrário. São todos tão verossímeis, que muitas vezes não sabem se o que estão fazendo é certo ou errado. Suas escolhas muitas vezes se assemelham às nossas, pessoas comuns, que muitas vezes somos obrigados a aceitar uma sobrecarga de responsabilidade pela qual não nos sentíamos preparados.
A argumentação do livro é perfeita. Todas as arestas soltas deixadas em Eragon são muito bem desenvolvidas e explicadas aqui.
Quando resenhei sobre o primeiro volume, disse que algumas das descrições de Paolini eram muito confusas. Tinha dificuldade de imaginar certas de combate e ambientes. Tudo isso mudou aqui, mais uma prova do amadurecimento precoce de Paolini. Todos os ambientes e cenas são muito bem descritos. Não foram raras as vezes em que consegui me imaginar dentro das páginas do livro, sentindo cada sensação, vendo cada cenário, ou ouvindo cada som, narrados na aventura.
Se na maior parte do livro as cenas de ação ficam por conta de Roran e os aldeões de Carvahall, o final do livro é repleto delas. A batalha na Campina Ardente é tão bem descrita que consegui me sentir dentro do acampamento do exército dos rebeldes. Fiquei ansioso junto com os soldados enquanto esperava o primeiro sinal de ataque do inimigo. Não foram poucas as vezes em que me peguei agitado lendo o livro, torcendo ora pra um ora pra outro, pulando páginas, tenso por descobrir mais, mas logo voltando atrás para não perder cada detalhe dessa deliciosa saga.
Eldest significa 'o mais velho'. O título enfim faz sentido quando lemos os últimos capítulos. Após uma  revelação arrebatora, só ficamos ainda mais ansiosos para ler a continuação.
Como disse Eragon, em um raro momento de sabedoria: 'Pais, mães, irmãos, primos, tudo começa e acaba na família.' E que o legado de Eragon demore a acabar, pois se trata de uma obra-prima de raro brilhantismo.


Não é mais um clichê romântico

sábado, 29 de setembro de 2012

Se tem duas coisas das quais eu gosto de escrever é sobre livros/histórias que já li ou filmes/séries que assisto. Como ainda estou terminando de ler 'Eldest' - segundo livro do Ciclo da Herança, vulgarmente e erroneamente conhecida por 'Eragon' -, e não faço questão nenhuma de correr na leitura já estou vibrando com cada parágrafo desse final emocionante, vim escrever sobre a segunda opção.
Ontem tirei um pedaço da tarde para assistir um filme com minha namorada. Era a vez dela escolher, por isso me peguei assistindo '500 dias com ela'. Mais uma comédia romântica.
Não que eu tenha algo contra as comédias românticas. Até curto. É uma forma divertida de passar o tempo, ainda mais ao lado de uma namorada linda, que você sabe que é melhor do que qualquer garota dos sonhos, sempre presentes nesses filmes.
Mesmo assim não é o tipo de filme que eu escolheria em uma locadora. Acho as histórias sempre muito parecidas, com roteiros muito simples, além de serem potencialmente perigosos para pessoas inocentes demais: sugerem que todo cara ou garota pode ser incrivelmente maravilhoso, livre de defeitos, e de que no final o amor resolve tudo. Sabemos que a vida não é assim, mas tem gente que espera vive-la como num desses filmes, tornando-a simplesmente mais dura do que ela já é.
Mas, diferente do que esse meu preconceito me fazia pensar, me surpreendi positivamente com o filme. Nele, Tom Hansen conhece Summer Finn, a nova assistente de seu chefe. Tom é um arquiteto formado que trabalha como um escritor em uma empresa de cartões em Los Angeles. Após uma noite de karaoke, o colega de trabalho de Tom, McKenzie, deixa escapar que Tom é atraído por Summer. Nos próximos meses, Summer e Tom ficam mais próximos e começam a viver um tipo de namoro, apesar dela deixar claro que não acredita no amor verdadeiro e não quer um namorado.
O filme é apresentado em uma narrativa não-linear, com saltos de vários dias dentro do período de 500 dias do relacionamento de Tom e Summer.
No começo, achei que o casal ia superar todas as dificuldades, e, novidade, terminar junto. Porém, não é bem isso o que acontece, e, de fato, o final me surpreendeu.
O filme levanta reflexões interessantes, e mostra simplesmente a vida como ela é, e não a torna mais triste por isso. Pelo contrário, ao narrar uma história muito real e aparentemente com um final triste, a trama também consegue nos mostrar que a vida é bonita por si só, e que podemos fazer as coisas acontecerem, ao invés de ficarmos esperando elas acontecerem com a gente.
E você? Está fazendo a sua vida acontecer?
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