Projeto Fugindo do Ninho

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Se há dois livros que marcaram minha vida, esses com certeza foram 'Fernão Capelo Gaivota' e 'Fugindo do Ninho', ambos do autor estadunidense Richard Bach.
O autor despertou em mim um desejo incessante de alçar vôos mais altos, de transcender.
Foi pensando nisso que criei esse novo projeto (sim, eu adoro projetos!). O 'Projeto Fugindo do Ninho' tem como objetivo divulgar ideias e conhecimento superiortextos simples, experiências, contos, enfim, qualquer coisa que nos faça refletir sobre questões importantes.
Ao final de cada texto, uma pergunta.
O objetivo do projeto é, longe de dizer verdades, levantar perguntas, questionamentos, e incitar à busca pela evolução da consciência.
Nessas publicações, os comentários serão mais do que importantes, pois serão nossa força impulsora!
Bom, por enquanto é só, mais tarde venho com o primeiro texto do projeto.
Até mais!

 PS: Seria injusto não citar Eragon dentre os livros que me fizeram amadurecer. Mas por se tratar de um gênero totalmente diferente, resolvi deixar para citá-lo em outras publicações.

Ele Não Está Tão A Fim de Você

"Comédias românticas por si já contém uma premissa discutível e poucas vezes diferenciada. Os meios se diferenciam, mas os fins são iguais e os desfechos parecem óbvios." Era assim que até pouco tempo atrás eu julgava cada filme do gênero que me dignava a assistir. Não que minha opinião tenha mudado, comédias românticas são feitas com essa intenção mesmo, mas passei a enxergar esse tipo de filme com diferentes olhos desde que, graças à minha namorada, comecei a dar uma chance à eles com mais frequência.
Ao invés de reclamar das obviedades, passei a reparar nos detalhes que movem o roteiro e, principalmente, a mente feminina. Aprendi que se pode aprender muito sobre as mulheres assistindo esse tipo de história, e passei a fazer disso uma meta: como eu quero fazer minha namorada uma pessoa mais feliz, preciso, independentemente de concordar ou não, prestar o máximo de atenção a como ela reage às situações de sua vida, muitas das vezes representadas, apesar de uma forma muito mais utópica, nesses longa-metragem.
 
"Ele Não Está Tão A Fim de Você" foi a bola da vez. O filme conta a história de Gigi (Ginnifer Goodwin), uma romântica incurável, que um dia resolve sair com Conor (Kevin Connolly). Ela espera que ele ligue no dia seguinte, o que não acontece. Gigi resolve ir até o bar onde se conheceram, na esperança de reencontrá-lo. Lá ela conhece Alex (Justin Long), amigo de Conor. Ele tem uma visão bastante realista sobre os relacionamentos amorosos e tenta apresentá-la a Gigi, através de seu ponto de vista masculino. Por sua vez Conor é apaixonado por Anna (Scalett Johansson), uma cantora que o trata apenas como amigo e que se interessa por Ben (Bradley Cooper), casado com Janine (Jennifer Connelly). O casamento deles está em crise, o que não impede que Janine dê conselhos amorosos a Gigi, com quem trabalha. Outra colega de serviço é Beth (Jennifer Aniston), que tem um relacionamento que causaria inveja a qualquer mulher com  Neil (Ben Affleck), e sonha em um dia se casar, apesar dele ser contrário à idéia.
São muitos personagens, e todos estão interligados de alguma maneira. Felizmente, a trama não se perde em meio ao mafuá de casais. O filme é longo, pouco mais de 2 horas, e cada casal têm seu clímax em algum momento do filme.
O longa aborda diversas questões interessantes, apesar de uma forma meio clichê. Portanto, não foi o desenrolar da história que me despertou interesse, mas sim o começo, e as diversas questões que foram colocadas em pauta.
É um filme bom, que foge um pouco do comum no começo, mas que para por aí.
 


Antes de terminar esse texto, queria deixar uma impressão pessoal. Eu, particularmente, gostei muito do casal interpretado por Jennifer Aniston e Ben Affleck. Eles viviam exatamente aquilo que eu sempre acreditei que um casal deveria viver. Ben faz o papel que eu sempre achei que um marido, ou companheiro, ou ambos, deveria fazer: é companheiro, ajuda a mulher em casa, nunca a larga desemparada, claro, tem sua vidinha, sua individualidade, seus amigos, mas ele está sempre ali, sempre por perto quando ela precisa, e mesmo quando ela terminou com ele, ele apareceu no momento em que ela mais precisava dele.
Mas o que achei mais significativo foi a forma como cada um deles, no final do filme, abriram mão de algo em que acreditavam pelo outro. Achei lindo essa demonstração de carinho e afeto, você abrir mão de algo que acredita, por acreditar mais ainda no amor.
Eu acho o casamento um evento lindo, romântico. Mas acho que existe uma diferença muito grande entre casamento e cerimônia. Um casamento de verdade não é feito por duas pessoas desfilando por uma ponte entre arroz, fitas e flores. É descobrir que, depois de uma vida inteira, eles construíram a ponte juntos , com as próprias mãos.

Trecho extraído do livro 'Fugindo do Ninho', de Richard Bach

Projeto Contos e Personagens!, Os Guardiões do Universo

terça-feira, 23 de outubro de 2012

    Os Guardiões do Universo são uma raça de seres imortais, oriundos do planeta Maltus, e criadores da Tropa dos Lanternas Verdes.

    Maltus foi o primeiro planeta no Universo a abrigar vida, e sua evolução se assemelha muito à evolução da vida na Terra. 
    As primeiras formas de vida do planeta foram seres microscópicos chamados simbiontes. Ao longo dos éons, eles se espalharam por todo o planeta e se tornaram organismos complexos, ainda que em escala microscópica. A essa altura, animais maiores também começaram a evoluir e a se espalhar pelo mundo. Ao longo do tempo, os simbiontes ganharam uma consciência coletiva e fizeram cotanto mental com os maltusianos, seres humanóides altos, de pele cinza-azulada e longos cabelos negros, que um dia viriam a se tornar os Guardiões do Universo. 
    Porém, antes desse contato, longe de se parecerem com os Guardiões de hoje, esses ainda eram pouco inteligentes e compartilhavam muitas das características de nossos ancestrais primatas na Terra.
    Os simbiontes sugeriram poder, em troca de abrigo no corpo de hospedeiros maltusianos, fornecer as habilidades observadas hoje nos guardiões, tudo através de interações físicas simbióticas. Protegendo e reparando suas células danificadas, os tornaram imortais. Da mesma forma concederem todas as características que fazem dos Guardiões os seres praticamente onipresentes dos dias atuais. 
    Com essas habilidades, rapidamente se tornaram a espécie dominante no planeta, e puderam se dedicar ao estudo e observação do Universo. Se tornaram, em sua maioria, cientistas e pensadores. 
    A origem da Tropa dos Lanternas Verdes e de tudo o que existe no Universo está relacionada aos maltusianos, em especial a um deles, Krona.
    Krona usou uma tecnologia avançada de dobra temporal para observar o início do Universo e sua criação, apesar dos perigos que envolviam o projeto.
    Inesperadamente, a máquina usada no projeto encheu o início do Universo de entropia (para quem não sabe, entropia é um conceito físico real que diz que o Universo começou compacto e organizado, e com o tempo foi se tornando menos coeso e mais desorganizado), fazendo com que este já nascesse velho. Isso alterou toda a estrutura do Universo, liberando todo o caos e o mal que existem hoje.
    Se sentindo responsáveis pelas ações de Krona, os maltusianos se mudaram para o Planeta de Oa, situado no centro da galáxia, e se tornaram enfim os Guardiões do Universo. Seu objetivo era simples: combater o mal e ordenar o Universo. Foi durante esse período que mudaram de aparência, perdendo metade do seu tamanho e aparência jovial.

No desenho, dois maltusianos no auge da evolução física. Acima, um dos Guardiões. Reparem como mudaram de aparência ao longo das eras após o incidente com o experimento de Krona.


    Os guardiões adquiriram ao longo do tempo diversas habilidades sobre-humanas, dentre elas seu vasto conhecimento, longa extensão de suas consciências, a habilidade de enganar a gravidade e voarem livremente, poderes psiquícos e a capacidade de manipular a energia verde da força de vontade, sem necessitarem de um anel do poder. Podem manipular o tempo, espaço, matéria e realidade, sendo uns dos seres mais poderosos do Universo DC

O Mal do Facebook

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A sociedade do século XXI sofre de um mal coletivo. Eu o chamo de mal do Facebook.
A "doença" não está relacionada apenas ao facebook, mas resolvi assim chama-la pois essa rede social consegue reunir e resumir todos os sintomas do problema.
A origem deste está situada há alguns anos atrás, no bom e velho Orkut. O orkut iniciou uma nova era nos relacionamentos inter-pessoais. Mais avassalador até mesmo do que a invenção do e-mail, a rede social conseguiu conectar milhares de pessoas em tempo real.
As qualidades do site eram várias: mantinhamos contato mais facilmente com amigos, reencontrávamos velhos colegas, fazíamos parte de comunidades junto com pessoas de interesses em comum, dentre muitas outras.
Mas começava aqui também o fim do ser como um indivíduo. Lentamente, e muito mais acentuado agora graças ao Facebook, não dedicamos mais tempo nenhum à nossa individualidade: estamos 24 horas por dia rodeados de pessoas, supostos "amigos", e não nos desconectamos até a hora de dormir, para depois acordar já plugados novamente.
Além disso, tais sites despertam e incitam sentimentos dos mais negativos nas pessoas. Esse tipo de ambiente propicia propagandas enganosas da vida dos outros. Tudo parece maravilhoso, e as pessoas fazem de tudo para serem donas das melhores vidas. Esse tipo de comportamente desperta inveja, mesmo que sem intenção. Afinal, porque minha vida não é tão boa quanto à de fulano? Como sicrano consegue namorados maravilhosos com tanta facilidade? Porque fulaninho faz tantas coisas enquanto eu só faço estudar?
Esses pensamentos apinham nossas mentes, mesmo que de forma inconsciente. Essa energia nos deixa desestimulados.
Junto com isso, cada vez mais cuidamos menos de nossa saúde. Somos negligentes. Achamos que comer só carboidratos, tomar suplementos e passar horas na academia é sinonimo de saúde. Não fazemos ideia do quanto estamos enganados. Como disse Nuno Cobra, preparador físico formado pela em Educação Física pela USP, pós-graduado em qualidade de vida também na USP, e mentor de atletas e celebridades como Ayrton Senn e Christian Fedipaldi: "Saúde é alegria de viver. É estar encantado com a vida. É ter entusiasmo, energia, vitalidade, disposição. Saúde é um processo de equilíbrio do organismo. São milhões de mecanismos interagindo e movimentando o interior do seu corpo para que tudo funcione adequadamente. A pessoa encantada com a vida tem o cérebro trabalhando na formação de hormônios de altíssima qualidade que vão nutrir a perfeita elaboração química inerna de bilhões de reações que ocorrem no organismo todo o tempo."

Como espero que já tenham percebido, meu objetivo não é pregar o fim deste tipo de site, principalmente porque eu faço uso destes e não pretendo excluir minha conta. A vida não segue a ideia do 8 ou 80. Mas prentendo modificar a forma como o venho usando, e assim quem sabe inspirar outras pessoas a fazer o mesmo. O Facebook e seus primos tem sua utilidade, mas estão totalmente ofuscados pelo uso descontrolado que fazem dele.
Também quero passar uma mensagem: pare de perder tempo! O relógio da vida está em movimento. O ser humano não dedica mais tempo a conhecer a si mesmo, a cuidar de si mesmo, e a curtir cada momento de sua vida.
Esqueça a vida dos outros. Concentre-se na sua! Acha que sua vida nao é tão boa quanto à do vizinho? Bobagem, a vida dele também é repleta de problemas, caso contrário não faria questão de faze-la parecer tão interessante. Pessoas felizes não precisam se exibir, não precisam falar de si mesmas. Pessoas felizes se bastam. Portanto, viva sua vida intensamente, faça aquilo o que quer, respeite quem tanto faz por você, e principalmente não tenha preguiça de viver, pois um dia, as pessoas lamentarão todo esse tempo perdido. Corra atrás dos seus sonhos, e não espere que as coisas caiam do céu, a vida gosta de quem luta por ela. Assim como no amor, lute por aquilo que você ama, e não se intimide, jamais.
Lembre-se: "Sempre que precisar de um estímulo, olhe para trás e veja todas as suas conquistas!"

The Legend of Zelda Ocarina of Time, Link

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

    Começa hoje o projeto Contos e Personagens! Tive essa ideia já faz algum tempo, mas demorou para a primeira publicação sair. A ideia é contar através de desenhos e histórias curtas um pouco sobre personagens de livros, filmes ou jogos que incitam minha imaginação.
    O primeiro personagem que venho aqui descrever é Link, herói do Jogo The Legend of Zelda Ocarina of Time. O jogo foi originalmente lançado para Nintendo 64 e é até hoje um dos mais premiados jogos da indústria de games.
    Como nunca tive um Nintendo 64, não tive a oportunidade de jogá-lo. Recentemente, porém, relançaram o jogo para o Nintendo 3DS. Visualmente muito mais bonito e bem trabalho, estou tendo agora a oportunidade de jogar essa obra-prima da Nintendo.
    A história se passa no reino fictício de Hyrule, uma terra repleta de magia e seres dos mais diferentes. O reino todo é governado por um rei que conseguiu unir todas as raças sob uma única bandeira. A capital e centro do poder é a cidade de Hyrule.
    Vamos então ao projeto em si. Espero que gostem. Boa leitura!
 
"Antes do início do tempo, antes da vida existir, três deusas douradas desceram sobre o nada que hoje é a terra de Hyrule: Din, a deusa do poder, Nayru, a deusa da sabedoria, e Farore, a deusa da bravura.
Din, com seus braços em chamas, cultivou e criou a terra. Nayru despejou sua sabedoria por sob a terra, criando as leis que manteriam coeso o mundo. Farore, com sua alma vívida, fez todas as formas de vida que viveriam segundo essas leis.
Terminado o trabalho, as três grandes deusas partiram para os céus.
No lugar de onde partiram as deusas foram deixadas três relíquias sagradas, três triângulos dourados, que juntos formam o que se chama de Triforce.
O lugar onde repousa a Triforce passou a se chamar The Sacred Realm, o Reino Sagrado.
Desde então, a Triforce tornou-se o único elo entre os deuses e nosso mundo."


    Antes de Hyrule ser uma única nação unida, antes do rei unir todas as tribos e raças sob a bandeira da família real, houve uma terrível guerra.
    Link nasceu em meio a esse terror. Fatalmente ferida, sua mãe o deixou na Floresta Kokiri, numa tentativa desesperada de salvar a vida do filho. Link é então criado pelos Kokiri.
    Os Kokiri são os habitantes da floresta. Tem sempre uma aparência de criança, apesar de muitos terem centenas de anos.
    São extremamente ariscos e acreditam que aqueles que abandonam a floresta nunca mais retornam com vida, por isso nunca abandonam a segurança de seus lares.
    O guardião dos Kokiris é a Grande Árvore Deku, um antigo espírito da natureza que vive em uma árvore. Foi a Grande Árvore Deku que adotou Link e o fez ser acolhido dentro da floresta. 
    Os habitantes de Hyrule acreditam que os Kokiri são espíritos da floresta criados pela própria Deku, mas na verdade são crianças que se perderam e foram transformadas devido a energia mística que impregna a região.
    Cada Kokiri possui uma fada. Cada fada cumpre um papel de pai e amiga na vida de cada criança Kokiri. Link é o único que não possui uma fada, justamente por não ser um Kokiri nativo, e por isso é visto como um estranho mesmo entre seus amigos.

PS: No desenho, Link, já devidamente armado antes de partir em sua jornada, com Navi, uma das fadas da floresta. Em cima, Link tocando sua Ocarina.

Valente

terça-feira, 16 de outubro de 2012

    Gosto bastante de animações, principalmente as feitas pela Pixar. Valente, no entato, não tinha chamado muito a minha atenção. Mas o que passou despercebido por mim não escapou da atenção da minha namorada, que me chamava pra ver o filme desde a época de lançamento nos cinemas. Lembro que até chegamos a ir ao Cinemark com esse objetivo, mas por algum motivo que agora me falha a memória, acabamos não assistindo.
    Depois de todo esse tempo, acabei baixando o filme pra assistir com ela, e achei o filme melhor do que eu esperava.
    A primeira princesa da história da Pixar se chama Merida, que com seus cabelos ruivos e encaracolados prefere seu arco e flecha às obrigações da coroa. Obrigações essas impostas por sua mãe Elinor, que acredita que o futuro da filha depende de suas boas maneiras e criação adequada para uma rainha. E é esse conflito entre mãe e filha que guia o filme do começo ao fim, e é ele o responsável pelos maiores altos e baixos do filme.
    As questões levantadas no começo da animação são ótimas. Duvido alguém não se identificar com Merida logo no começo da história. Todo mundo um dia já achou que seus pais eram controladores, adultos que não ligam para nossos interesses e que usam de seus próprios métodos pessoais e inflexíveis para nos educar de acordo com o que acham ser o melhor para nós. A sacada do filme é que ele mostra também o lado dos pais, e depois de passado esse 'deja-vú' de nossa adolescencia, passamos até a entender um pouco o lado de Elinor, e quem sabe até mesmo dos nossos próprios pais.
    Merida se recusa a se casar com um dos pretendentes de cada um dos quatro clãs de sua terra. O matrimônio é necessário para manter os votos de lealdade dos clãs com a coroa, mas a princesa não se sente pronta ainda e quer poder traçar seu próprio destino, sem ligar para os tabus de seu povo. Seus atos de rebeldia, no começo, inspiram qualquer espectador, porém, com o passar do filme, começamos a nos perguntar se ela não está sendo também egoísta. Afinal, teve uma vida onde nunca faltou nada e deve tudo isso a sua posição social. A paz do reino e com isso a vida de milhares de pessoas depende de suas atitudes. Admito que até agora não consegui chegar à conclusão de qual caminho seria o mais correto a se tomar por uma pessoa que viesse a se encontrar nesse tipo de situação.
    Abandonando essa questão filosófica, o filme é bom, visualmente muito bonito, passado em alguma  região da Grã-Bretanha, claramente percebível devido ao sotaque acentuado do inglês da versão original, que não consegui identificar.
    Infelizmente, não deixa de cair em velhos clichês do gênero, como o fato de Merida conseguir quebrar todas as velhas tradições de seu povo e com isso mudar o seu próprio destino. Parece que tudo é muito simples.
    Enfim, não é o melhor filme da Pixar, mas também não deixa a desejar. Recomendo.



PS: Não pude deixar de notar a semelhança da bruxa da história com Yasubaba, do filme A Viagem de Chiriro. Diria que são irmãs, só que não.

Altas Aventuras

domingo, 14 de outubro de 2012

Eu me considero uma criança. Não no que diz respeito a minha maturidade.  Nesse ponto, considero minha maior prova de amadurecimento justamente o fato de nunca deixar minha criança interior ser ofuscada pelas frivialidades da vida adulta. Eu sei ser adulto quando é necessário, mas continuo tendo o mesmo encanto com a vida que eu tinha quando era pequeno e totalmente inocente.
Pra mim, o maior responsável pelo surto de infelicidade na sociedade contemporânea é justamente o excesso de esterótipos e falta de encanto com as pequenas maravilhas da vida.
Falo tudo isso porque um filme me despertou todas essas sensações dois dias atrás. Estou falando de uma das últimas e mais aclamadas obras da Pixar: Up - Altas Aventuras.
O título começa contando em poucos minutos como Carl Fredricksen e Ellie se conheceram, casaram-se e viveram juntos harmoniosamente durante décadas; tudo sem falas. Ainda crianças, os dois possuíam em comum o gosto por aventuras e o ídolo, o corajoso explorador de terras Charles Muntz. Quando jovens, o casal planejou uma longa viagem à América do Sul, mais especificamente às Cataratas do Paraíso. Mas, por força do destino, a dupla nunca pôde realizar seu maior sonho. Então Ellie falece, deixando sozinho um rabugento e introspectivo Carl. Com a morte da esposa e uma sucessão de acontecimentos que o obrigariam a deixar sua casa para viver em um asilo, Carl decide finalmente partir para a viagem sempre planejada e jamais executada. Para seu desgosto, acidentalmente leva consigo o pequeno escoteiro Russell. O veículo usado na aventura é a grande atração: a própria casa do velhinho, sustentada por milhares de balões coloridos e controlada por um sistema de roldanas e panos que resultam numa “casa voadora à vela”.
Enquanto o velho viúvo prefere pouca ou nenhuma conversa, o garoto, determinado a conseguir sua última medalha de escoteiro por favores prestados a idosos, é falante, extrovertido e hiperativo. Russell vê tudo com o entusiasmo de uma criança começando uma vida de aventuras; Carl dificilmente se desarma para o mundo, é apegado melancolicamente a um passado que não volta mais. O que une os dois personagens é um tocante sentimento de solidão. Russel demonstra uma comovente necessidade da presença do pai, enquanto Carl está obviamente preso à saudade que sente de Ellie, sua única companhia durante toda a vida. Para suavizar o clima melancólico da história, entram em cena Kevin, uma bela e gigante ave com quem Russell logo simpatiza, e o cachorro Dug, ambos responsáveis pela maior parte das cenas cômicas do longa.
Up é capaz de nos fazer repensar nossas relações com o próximo e os sentimentos que nos fecham para tantas descobertas. Independente da idade que se tenha, é possível escolher entre o entusiasmo de uma criança disposta a descobrir o mundo ou se limitar a viver recusando um mundo de novas experiências.


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