Há mais de 6 meses aconteceu o maior evento já realizado pelas Nações Unidas,
o Rio+20, que contou com a participação de chefes de estados de cento e
noventa nações que propuseram mudanças, sobretudo, no modo como estão
sendo usados os recursos naturais do planeta.
Como estudante de engenharia ambiental, a realização do evento e suas consequencias deveriam ser de suma importância para mim. Cheguei inclusive a visitar a Cúpula das Nações, instalada no Aterro do Flamengo. Infelizmente, em função da já premeditada falta de resultados conclusivos, fiquei extramente chateado e decepcionado com o resultado efetivo da conferência e não me interessei como deveria pelo assunto na época.
Agora, em pleno início de 2013, finalmente peguei pra ler um artigo sobre o tema, este em questão publicado pela Scientific American Brasil, Edição Especial Ambiente. Pude, pela primeira vez, compreender tudo que esteve por trás do megaevento, o porque de sua aparente inefetividade, e pra que ele realmente serviu.
Os trechos a seguir foram retiradas do dito artigo, escrito pelo sociólogo Sérgio Abranches. Nada é mais esclarecedor que ler o texto na íntegra, mas para quem não tem acesso à revista, essas foram as partes mais explicativas e importantes na compreensão da atual situação da política sustentável global.
"Na primeira semana do encontro, 500 cientistas mergulharam em suas dúvidas, debates, controvérias num importante encontro (...) Entre essas dúvidas não está a de que o mundo passa por mudanças climáticas induzidas pela ação humana. Não há mais divisão entre cientistas que negam e afirmam a realidade da mudança climática.
Porque essa concordância entre os cientistas em pontos-chave não se transforma em documentos robustos? Porque a experiência com as negociações das convenções da biodiversidade e do clima já demonstrou que essas grandes assembleias, em que as decisões exigem uniminidade, não levam a decisões ambiciosas. (...) Nelson Rodrigues, dizia que "toda unaminidade é burra". Mais que isso, ela exige que todos se contentem com o mínimo, quando o mais razoável é buscar o máximo. O mínimo é o mais insustentável dos propósitos, diante da dimensão do que ameaça a humanidade."
""A Rio+20 terminou hoje com um conjunto de resultados que, se realmente levados adiante nos próximos meses e anos, oferece a oportunidade para catalizar caminhos rumo a um século 21 mais sustentável." Assim Achim Steiner, diretor executivo do programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) definiu a conclusão da Rio+20. Anotou que é uma promessa, não um resultado palpável. "Vamos em passos incrementais." O problema desse passo a passo das decisões globais é que a crise ambiental e climática avança em alta velocidade e aumentam os riscos efetivos de ruptura ecológicas, principalmente às associadas à mudança climática.
No mundo oficial , decidiu-se por um processo de negociações, sem garantias de que terá bons resultados. Ele tem prazo definido para chegar aos resultados inicados, mas o mandato aos negociadores é amplo e difuso demais. Não garante que o produto final corresponderá às aspirações enunciadas nos discursos oficiais."
"Na Rio+20 não se conseguiu concenso sobre o mínimo necessário para começarmos essa caminhada rumo à sustentabilidade. Chegou-se ao compromisso possível. Mas não é assim que funciona com o clima e o ambiente. A natureza do desafio mudou. No século 20, o compromisso era possível, porque as questões eram políticas e de segurança militar. No século 21, as forças que nos ameaçam não admitem compromissos, nem atraso. Não se pode pedir que as mudanças climáticas recuem e deem novos prazos à humanidade. A Natureza é tema, mas não se senta à mesa de negociações."
"(...) A Rio+20 ocorreu em um momento de muita turbulência na economia globalizada, incerteza sobre as consequências da crise financeira, desdobramentos políticos em muitas partes do mundo e capacidade da comunidade internacional para lidar com esses conflitos. (...) não se pode permitir que essas dificuldades se sobreponham ao enfrentamento dos perigos postos pelas ações humanas ambientalmente destrutivas.(...) embora algum progresso tenha sido feito no trato das questões ambientais globais, redução da pobreza e segurança alimentar, hídrica e humana, a escala dessas ações não foi comensurável com a escala dos problemas."
"Quando se examinam em seu conjunto as peças que compuseram esse megaevento, o que fica claro é que tiveram muito mais sucesso as iniciativas que implicavam ações voluntárias que aquelas que envolviam comprometimento político mais forte e que poderiam evoluir para compromissos de natureza mais compulsória."
"Formar concenso em uma assembléia desigual de nações em torno de compromissos que exigem mudanças no padrão econômico e energético e regulamentação do desempenho dos países é muito difícil. O máximo que se obtém é um raso mínimo denominador comum. Como a regra é a unaminidade, qualquer país tem poder de veto. Como cada país tem pelo menos uma área de interesses que considera inegociáveis, a probabilidade de que vetos cruzados eliminem a relevância de todas as decisões é enorme.
A diversidade é grande e os interesses começam a se diferenciar de forma muito mais acentuada com as mudanças globais. As áreas de conflito se ampliam mais rapidamente que as áreas de cooperação."
"Dada a sua magnitude essas reuniões chamam cada vez mais a atenção da mídia global, o que aumenta a visibilidade das questões de que tratam e facilita a mobilização da opinião pública. Essa mobilização é um ingrediente essencial para mudanças no âmbito dos países (...)"
O Que Não Mudou Depois da Rio+20
Detona Ralph
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Enquanto a Pixar dava uma de Disney e criava a sua princesa em Valente, a Disney Animation foi dar uma de Pixar e fazer o seu próprio Toy Story. Porém, em vez dos brinquedos que ganham vida quando ninguém está olhando, Detona Ralph mostra o que os personagens dos videogames fazem depois do último game over do dia.
O longa conta a história de Ralph, que tem sido por 30 anos o vilão do jogo Conserta Félix Jr., uma relíquia do fliperama. Porém, cansado de ser posto de lado por todos os outros que vangloriam apenas o herói que dá nome ao jogo e as suas muitas medalhas de ouro, Ralph resolve fugir da sua programação, e tentar a sorte nos demais jogos, para enfim conseguir a medalha que lhe dará um pouco do sonhado reconhecimento. Do mundo dos 8 bits onde ele ainda resistia bravamente, Ralph vai parar em um moderníssimo jogo de tiro em primeira pessoa de alta definição ambientado em um planeta alienígena cheio de insetos gigantes voadores. É claro que o resultado não podia ser outro: ele causa a maior confusão e coloca em risco todo o universo que existe por trás dos jogos daquele arcade. Nesse meio tempo, Ralph vai parar no jogo Sugar Rush, uma mistura de Mario Kart e Speed Racer com garotas pilotando carros de guloseimas, onde conhece Venellope, uma adorável pilota que por ter um bug, uma falha de programação, é discriminada e não pode participar das corridas. Unidos pelo sentimento de exclusão, Ralph e Venellope se tornam amigos, e agora, antes de conseguir voltar para casa, ele vai ter de ajudar a pequena corredora a vencer uma corrida.
O filme começa de forma genial. A apresentação do divertido universo em que, fora do expediente, vilões se encontram no lar do fantasma de Pacman, e personagens de jogos ultrapassados são largados à mendicância na estação central é digna de um oscar.
Principalmente durante o começo do filme são inúmeras as referências a diversos jogos, que testarão os conhecimentos gamísticos da platéia: desde a reunião de vilões na sala dos fantasmas de Pac-man (que conta com alguns dos mais famosos personagens da história dos videogames) até a tomada central que une todas as máquinas, haverá diversas tiradinhas fazendo referência a clássicos como Asteroids, Space Invaders, Pong, Street Fighter e muitos outros jogos. Os pequenos não devem se ligar muito, mas os mais viciados com certa idade, como eu, certamente irão à loucura. Algumas cenas, como aquela em que Kano aplica seu clássico fatality (sim, o do coração), ou a senha usada para abrir a sala de programação ser o clássico código da Konami dos anos 90 realizado em um controle do Nintendinho, estão ali apenas para a alegria dos gamers.
Com um roteiro bem costurado, cada personagem, em vez de só inchar o elenco e disparar piadinhas específicas, tem diversas oportunidades de descobrir maneiras inusitadas de empregar os seus dons e crescer na narrativa.
O diretor ainda capricha ao conferir a cada jogo uma assinatura visual específica: em Conserta Félix Jr., os objetos de 8-bits têm contornos retangulares, os personagens movimentam-se quase em um stop-motion, que reproduzem a limitação técnica de antigamente, e os sons são bem característicos; já em Missão de Herói, a alta definição da Sargento Calhoun e a liberdade de movimento conferem o grau de realismo esperado do mais recente lançamento.
Infelizmente, o filme perde um pouco do brilho no segundo ato, quando o mote passa a ser a amizade que Ralph constrói com Vanellope. Apesar da premissa ser legal, o filme se torna um tanto quanto infantil, o que é até compreensível por ser um filme voltado para o público mais novo, e as referências ao mundo dos games passa a se resumir a algumas citações
Apesar desse deslize, o longa volta a brilhar a partir do começo do último ato. Apresentando uma conclusão sensível e doce, capaz até de provocar discretas lágrimas, e ação na medida, Detona Ralph nos ensina a aceitar o nosso papel na sociedade, sela ele qual for, e desempenhá-lo com prazer e da melhor maneira possível, mesmo que isso não nos renda os fogos de artifício esperados.
Achei que o brilho do final foi que nenhum dos personagens magicamente deixaram de ser quem eram antes para ter um lindo final feliz. Cada um deles aprendeu a viver com o melhor que têm. Acima da média para um final de filme infantil.
Enfim, Detona Ralph abre o ano de animações com alto nível de qualidade.A ideia é genial, e se, bem explorada, pode gerar ótimas sequencias.
Apesar de tudo, se você nunca pegou num videogame na vida e já não é mais criança é melhor ser cauteloso quanto a esse filme. Mas isso não importa. Esse não é o meu caso.
Entrelinhas
Paperman, o curta-metragem exibido antes do início do filme, é lindo.
Ah, e não se esqueçam que Detona Ralph é um filme infantil, e, portanto, a sala estará repleta de crianças. Se já faz um tempo desde a última vez que você foi ao cinema com uma, já vá sabendo que no início pode ser extremamente irritante. Elas não param de falar, e em alguns momentos do filme, principalmente no começo, é difícil escutar o que os personagens estão falando. Além disso, você pode ter a "sorte" de, como eu, sentar do lado de uma criança que faz o favor de comentar cada cena do filme. Eu me senti um velho. Mas relaxe e curta o filme. Um dia nós fomos crianças também.
O longa conta a história de Ralph, que tem sido por 30 anos o vilão do jogo Conserta Félix Jr., uma relíquia do fliperama. Porém, cansado de ser posto de lado por todos os outros que vangloriam apenas o herói que dá nome ao jogo e as suas muitas medalhas de ouro, Ralph resolve fugir da sua programação, e tentar a sorte nos demais jogos, para enfim conseguir a medalha que lhe dará um pouco do sonhado reconhecimento. Do mundo dos 8 bits onde ele ainda resistia bravamente, Ralph vai parar em um moderníssimo jogo de tiro em primeira pessoa de alta definição ambientado em um planeta alienígena cheio de insetos gigantes voadores. É claro que o resultado não podia ser outro: ele causa a maior confusão e coloca em risco todo o universo que existe por trás dos jogos daquele arcade. Nesse meio tempo, Ralph vai parar no jogo Sugar Rush, uma mistura de Mario Kart e Speed Racer com garotas pilotando carros de guloseimas, onde conhece Venellope, uma adorável pilota que por ter um bug, uma falha de programação, é discriminada e não pode participar das corridas. Unidos pelo sentimento de exclusão, Ralph e Venellope se tornam amigos, e agora, antes de conseguir voltar para casa, ele vai ter de ajudar a pequena corredora a vencer uma corrida.
O filme começa de forma genial. A apresentação do divertido universo em que, fora do expediente, vilões se encontram no lar do fantasma de Pacman, e personagens de jogos ultrapassados são largados à mendicância na estação central é digna de um oscar.
Principalmente durante o começo do filme são inúmeras as referências a diversos jogos, que testarão os conhecimentos gamísticos da platéia: desde a reunião de vilões na sala dos fantasmas de Pac-man (que conta com alguns dos mais famosos personagens da história dos videogames) até a tomada central que une todas as máquinas, haverá diversas tiradinhas fazendo referência a clássicos como Asteroids, Space Invaders, Pong, Street Fighter e muitos outros jogos. Os pequenos não devem se ligar muito, mas os mais viciados com certa idade, como eu, certamente irão à loucura. Algumas cenas, como aquela em que Kano aplica seu clássico fatality (sim, o do coração), ou a senha usada para abrir a sala de programação ser o clássico código da Konami dos anos 90 realizado em um controle do Nintendinho, estão ali apenas para a alegria dos gamers.
Com um roteiro bem costurado, cada personagem, em vez de só inchar o elenco e disparar piadinhas específicas, tem diversas oportunidades de descobrir maneiras inusitadas de empregar os seus dons e crescer na narrativa.
O diretor ainda capricha ao conferir a cada jogo uma assinatura visual específica: em Conserta Félix Jr., os objetos de 8-bits têm contornos retangulares, os personagens movimentam-se quase em um stop-motion, que reproduzem a limitação técnica de antigamente, e os sons são bem característicos; já em Missão de Herói, a alta definição da Sargento Calhoun e a liberdade de movimento conferem o grau de realismo esperado do mais recente lançamento.
Infelizmente, o filme perde um pouco do brilho no segundo ato, quando o mote passa a ser a amizade que Ralph constrói com Vanellope. Apesar da premissa ser legal, o filme se torna um tanto quanto infantil, o que é até compreensível por ser um filme voltado para o público mais novo, e as referências ao mundo dos games passa a se resumir a algumas citações
Apesar desse deslize, o longa volta a brilhar a partir do começo do último ato. Apresentando uma conclusão sensível e doce, capaz até de provocar discretas lágrimas, e ação na medida, Detona Ralph nos ensina a aceitar o nosso papel na sociedade, sela ele qual for, e desempenhá-lo com prazer e da melhor maneira possível, mesmo que isso não nos renda os fogos de artifício esperados.
Achei que o brilho do final foi que nenhum dos personagens magicamente deixaram de ser quem eram antes para ter um lindo final feliz. Cada um deles aprendeu a viver com o melhor que têm. Acima da média para um final de filme infantil.
Enfim, Detona Ralph abre o ano de animações com alto nível de qualidade.A ideia é genial, e se, bem explorada, pode gerar ótimas sequencias.
Apesar de tudo, se você nunca pegou num videogame na vida e já não é mais criança é melhor ser cauteloso quanto a esse filme. Mas isso não importa. Esse não é o meu caso.
Entrelinhas
Paperman, o curta-metragem exibido antes do início do filme, é lindo.
Ah, e não se esqueçam que Detona Ralph é um filme infantil, e, portanto, a sala estará repleta de crianças. Se já faz um tempo desde a última vez que você foi ao cinema com uma, já vá sabendo que no início pode ser extremamente irritante. Elas não param de falar, e em alguns momentos do filme, principalmente no começo, é difícil escutar o que os personagens estão falando. Além disso, você pode ter a "sorte" de, como eu, sentar do lado de uma criança que faz o favor de comentar cada cena do filme. Eu me senti um velho. Mas relaxe e curta o filme. Um dia nós fomos crianças também.
As Aventuras de Pi
domingo, 6 de janeiro de 2013
Quando li a sinopse de As Aventuras de Pi pela primeira vez, quase que descartei por completo a possibilidade de ver o filme nos cinemas. Não me interessei pela trama. Não gosto de filmes sobre sobreviventes de acidentes trágicos, que narram sua luta diária para sobreviver. Porém, depois de assistir o trailer, percebi que o filme é mais do que uma história de sobrevivência, e sim, uma história de superação, e porque não, de fé.
Outro clichê que quase que me desinteressou de assistir o filme: seu alto teor religioso. Inicialmente, achei que a história ia focar no poder milagroso de superação da fé, que faria com que o protagonista superasse a tudo e a todos. Na prática, sabemos que não é bem assim. Porém, ao término do filme, percebi que a importância da fé não é acreditar em um Deus, ou em vários deles, mas, sim, em acreditar em algo, acreditar em si mesmo, e na nossa capacidade de superação. E essa força, essa vontade, vem de nós mesmos. As Aventuras de Pi não é um filme sobre um náufrago em uma situação inusitada e seu salvamento quase mágico. É sim uma história sobre como enfrentar adversidades. Sobre como enxergar o melhor lado de uma situação potencialmente traumática e transformadora. É sobre como se transformar para não se deixar ser transformado em sua essência. Sempre existe mais de uma maneira para enxergar algo, e cabe a cada um encontrar a melhor.
Pi Patel é um garoto indiano que vive com sua família em um zoológico. Como os negócios não vão bem, seu pai resolve embarcar com a família e seus animais para iniciar vida nova no Canadá. Para isso terão que enfrentar uma viagem de navio que não acaba nada bem. Único sobrevivente do desastre, Pi terá que dividir o espaço no bote com uma hiena, uma zebra ferida, um orangotango e um tigre de bengala chamado Richard Parker. As escolhas que terá que fazer e as atitudes que terá que tomar para sobreviver podem transformar Pi e tudo em que ele acredita.
As Aventuras de Pi começa um tanto quanto devagar. Ele leva certo tempo para começar, passando um período enorme em explicações e conversas. Mas essa suposta lentidão inicial se mostra extremamente necessária para construir o personagem e nos fazer compreender o seu comportamento diante dos acontecimentos posteriores.
A trama muda totalmente de rumo quando Pi sobrevive ao trágico acidente. A partir desse momento, alguns podem pensar que o rumo do filme é tomado pela questão da vida ou morte do protagonista. Ledo engano. O rumo das aventuras é tomado por surpresas, estas ilustradas ainda mais pela tecnologia 3D muitíssimo bem utilizada. Com surpresas, sustos e uma bela combinação, imagens espetaculares são lançadas aos olhos do público.
O belo uso do 3D cria o que faltava para nos sentirmos imersos na solidão do personagem em alto-mar. O mar infinto, que, inúmeras vezes, se confunde com céu, é de uma beleza ímpar. Mas o que ele tem de belo, tem de assustador. Acho que mais que medo, o mar nos inspira respeito. Como o filme fez questão de mostrar, somos muito pequenos diante de toda a sua vastidão e poder.
Como se tudo isso não bastasse, ainda temos um tigre recriado digitalmente que beira a perfeição, tornando difícil a tarefa de distinguir muitas das tomadas onde o animal real foi usado e onde o dublê digital assumiu a cena.
Visual, emocional e espiritual são unidos de forma grandiosa, tratando das micro e macro visões da vida, constantemente fundidas, formando paradoxos infinitos, nos quais o um é o todo e o todo é um. Impossível não se sentir parte do universo de Pi.
Mesmo com todos esse aspectos citados, o ponto principal da história, e que mais mexe com o espectador, é a relação entre Pi e o tigre. Richard Park passa de uma simples besta feroz para um companheiro de viagem não só do jovem Pi, mas de todos nós. A relação, que envolve respeito, medo e companheirismo, não para de evoluir e é difícil imaginar como ela vai acabar. A despedida dói no espectador.
Um ponto que deve ser citado é que, apesar do tempo encurtado de exposição não permitir que sinta-se pena pelos outros animais náufragos, gradativamente devorados por Richard Parker, acho que isso leva o filme a não ser indicado para crianças muito pequenas, que podem não suportar a primeira parte do filme.
Infelizmente, o final me pareceu simplista demais em comparação ao que eu esperava.
Como diz o famoso ditado. “Quem conta um conto, aumenta um ponto”. Às vezes, contos são narrados de tal maneira que viram fantasias. Tudo, porém, baseado em um fato. O final do filme nos faz a pergunta: o que será verdadeiro na ficção? Ou ainda: pode a ficção ser verdadeira? Cabe a nós a resposta a essa pergunta.
Entrelinhas
Pra quem não sabe, As Aventuras de Pi foi baseado no livro homônimo do canadense Yann Martel. O que pouca gente sabe é que o livro é acusado de ter plagiado a história de outro livro: Max e Os Felinos, do brasileiro Moacyr Scliar.
O livro de Scliar se tratava de um judeu refugiado a caminho do Brasil, que no barco salva-vidas tinha que conviver com um jaguar.
Para minha surpresa, parece que Martel chegou a admitir que leu a sinopse de Max e Os Felinos e se inspirou diretamente nela para criar a sua história.
O brasileiro ficou sabendo disso e, no entanto, recusou-se a processar o outro, achando que era difícil e trabalhoso demais.
Martel passou a colocar nas edições posteriores do seu livro uma referencia logo na primeira página, dizendo que realmente se inspirou em Scliar, o que, cá entre nós, já deveria ter feito antes.
Outro clichê que quase que me desinteressou de assistir o filme: seu alto teor religioso. Inicialmente, achei que a história ia focar no poder milagroso de superação da fé, que faria com que o protagonista superasse a tudo e a todos. Na prática, sabemos que não é bem assim. Porém, ao término do filme, percebi que a importância da fé não é acreditar em um Deus, ou em vários deles, mas, sim, em acreditar em algo, acreditar em si mesmo, e na nossa capacidade de superação. E essa força, essa vontade, vem de nós mesmos. As Aventuras de Pi não é um filme sobre um náufrago em uma situação inusitada e seu salvamento quase mágico. É sim uma história sobre como enfrentar adversidades. Sobre como enxergar o melhor lado de uma situação potencialmente traumática e transformadora. É sobre como se transformar para não se deixar ser transformado em sua essência. Sempre existe mais de uma maneira para enxergar algo, e cabe a cada um encontrar a melhor.
Pi Patel é um garoto indiano que vive com sua família em um zoológico. Como os negócios não vão bem, seu pai resolve embarcar com a família e seus animais para iniciar vida nova no Canadá. Para isso terão que enfrentar uma viagem de navio que não acaba nada bem. Único sobrevivente do desastre, Pi terá que dividir o espaço no bote com uma hiena, uma zebra ferida, um orangotango e um tigre de bengala chamado Richard Parker. As escolhas que terá que fazer e as atitudes que terá que tomar para sobreviver podem transformar Pi e tudo em que ele acredita.
As Aventuras de Pi começa um tanto quanto devagar. Ele leva certo tempo para começar, passando um período enorme em explicações e conversas. Mas essa suposta lentidão inicial se mostra extremamente necessária para construir o personagem e nos fazer compreender o seu comportamento diante dos acontecimentos posteriores.
A trama muda totalmente de rumo quando Pi sobrevive ao trágico acidente. A partir desse momento, alguns podem pensar que o rumo do filme é tomado pela questão da vida ou morte do protagonista. Ledo engano. O rumo das aventuras é tomado por surpresas, estas ilustradas ainda mais pela tecnologia 3D muitíssimo bem utilizada. Com surpresas, sustos e uma bela combinação, imagens espetaculares são lançadas aos olhos do público.
O belo uso do 3D cria o que faltava para nos sentirmos imersos na solidão do personagem em alto-mar. O mar infinto, que, inúmeras vezes, se confunde com céu, é de uma beleza ímpar. Mas o que ele tem de belo, tem de assustador. Acho que mais que medo, o mar nos inspira respeito. Como o filme fez questão de mostrar, somos muito pequenos diante de toda a sua vastidão e poder.
Como se tudo isso não bastasse, ainda temos um tigre recriado digitalmente que beira a perfeição, tornando difícil a tarefa de distinguir muitas das tomadas onde o animal real foi usado e onde o dublê digital assumiu a cena.
Visual, emocional e espiritual são unidos de forma grandiosa, tratando das micro e macro visões da vida, constantemente fundidas, formando paradoxos infinitos, nos quais o um é o todo e o todo é um. Impossível não se sentir parte do universo de Pi.
Mesmo com todos esse aspectos citados, o ponto principal da história, e que mais mexe com o espectador, é a relação entre Pi e o tigre. Richard Park passa de uma simples besta feroz para um companheiro de viagem não só do jovem Pi, mas de todos nós. A relação, que envolve respeito, medo e companheirismo, não para de evoluir e é difícil imaginar como ela vai acabar. A despedida dói no espectador.
Um ponto que deve ser citado é que, apesar do tempo encurtado de exposição não permitir que sinta-se pena pelos outros animais náufragos, gradativamente devorados por Richard Parker, acho que isso leva o filme a não ser indicado para crianças muito pequenas, que podem não suportar a primeira parte do filme.
Infelizmente, o final me pareceu simplista demais em comparação ao que eu esperava.
Como diz o famoso ditado. “Quem conta um conto, aumenta um ponto”. Às vezes, contos são narrados de tal maneira que viram fantasias. Tudo, porém, baseado em um fato. O final do filme nos faz a pergunta: o que será verdadeiro na ficção? Ou ainda: pode a ficção ser verdadeira? Cabe a nós a resposta a essa pergunta.
Entrelinhas
Pra quem não sabe, As Aventuras de Pi foi baseado no livro homônimo do canadense Yann Martel. O que pouca gente sabe é que o livro é acusado de ter plagiado a história de outro livro: Max e Os Felinos, do brasileiro Moacyr Scliar.
O livro de Scliar se tratava de um judeu refugiado a caminho do Brasil, que no barco salva-vidas tinha que conviver com um jaguar.
Para minha surpresa, parece que Martel chegou a admitir que leu a sinopse de Max e Os Felinos e se inspirou diretamente nela para criar a sua história.
O brasileiro ficou sabendo disso e, no entanto, recusou-se a processar o outro, achando que era difícil e trabalhoso demais.
Martel passou a colocar nas edições posteriores do seu livro uma referencia logo na primeira página, dizendo que realmente se inspirou em Scliar, o que, cá entre nós, já deveria ter feito antes.
Adeus, Ano Velho! Feliz Ano Novo!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Diferentes culturas sempre comemoram a passagem do ano como um ritual
festivo de representação do início de um novo ciclo de vida, novos
acontecimentos, transformações. As
primeiras comemorações tiveram início há cerca de 2 mil anos antes da
era cristã, quando os antigos babilônios festejavam o recomeço do ciclo
anual, época que coincidia, não por acaso, com o início da primavera
no hemisfério norte e a plantação de novas safras. O
ritual de comemoração do Ano Novo teve uma origem diretamente ligada à
natureza, aos ciclos celestes e lunares e à agricultura. Daí veio a idéia de
recomeço, preservada até os dias atuais. A comemoração do povo da
Babilônia durava vários dias e equivaleria, hoje, ao dia 23 de março.
A história da comemoração ocidental associa-se diretamente ao calendário romano, quando Júlio César decretou o 1º de janeiro como o Dia do Ano Novo em 46 a.C. O nome do mês derivado do deus Jano, que tinha uma face voltada para frente (visualizando o futuro) e outra para trás (visualizando o passado), o que empresta ainda mais significado à data.
Datas a parte, o reveillon é o fim de um ciclo e início de outro. É o momento de aproveitarmos a oportunidade para rever nossos objetivos e enchermos o coração de esperança. É o momento de lembrarmos de tudo de bom que nos aconteceu, e também de nos fazer uma auto-crítica.
Greve. 5 meses parado, e uma perspectiva de 2 anos seguidos de aula para reorganizar o calendário acadêmico. Pressões de todo lado. A vontade de conseguir um bom estágio, arrumar um emprego, e a dura realidade de um estudante de engenharia que ainda cursa seu 3° período. Medo de decepcionar aqueles com quem mais me importo, mesmo sabendo que estou dando o melhor de mim. Mas, acima de tudo, saber que 2012 me trouxe boas lembranças. Todos os momentos que passei com minha família, com meus amigos, com minha namorada, a lembrança de minha primeira viagem com Andressa, todos os momentos que vivi com ela, os abraços, os beijos, as brigas, o carinho. Todos os novos amigos que eu fiz, as amizades que mantive, o perdão de um amigo, e a coragem para mudar.
2012 começou como eu mais queria, mas não terminou exatamente como eu pretendia. Dia 31 de dezembro, ápice das festividades, e cá estou eu preocupado com uma prova da faculdade. 2012 foi um ano de aprendizado, um ano em que senti na pele a força dos meus defeitos. Um ano em que vi meus medos tentando me dominar. Um ano em que senti as pressões que ser adulto trazem para nossa vida. Mas, acima de tudo, também foi um ano mágico. Foi o primeiro ano ao lado de alguém que foi devagarzinho tomando um espaço tão grande no meu coração, que hoje é difícil pensar no futuro e nao pensar nela.
Obrigado a todos que fizeram de 2012 um ano em que agradeci pelo mundo não ter acabado no dia 21 de dezembro. Obrigado à Andressa, por ter estado sempre do meu lado, mesmo nos momentos em que eu fui mais chato, obrigado a minha mãe, ao meu irmão e a minha tia/avó, por nunca terem me deixado e por sempre me perdoarem, obrigado ao meu pai, que mesmo longe, nunca esteve em nenhum momento tão distante ao ponto de que não pudesse me socorrer, em todos os sentidos. Obrigado aos meus amigos, por me escutarem quando eu mais precisava falar, e obrigado ao Universo, por essa vida de possibilidades, por essa vida onde eu posso ir até onde tiver forças para sonhar.
A história da comemoração ocidental associa-se diretamente ao calendário romano, quando Júlio César decretou o 1º de janeiro como o Dia do Ano Novo em 46 a.C. O nome do mês derivado do deus Jano, que tinha uma face voltada para frente (visualizando o futuro) e outra para trás (visualizando o passado), o que empresta ainda mais significado à data.
Datas a parte, o reveillon é o fim de um ciclo e início de outro. É o momento de aproveitarmos a oportunidade para rever nossos objetivos e enchermos o coração de esperança. É o momento de lembrarmos de tudo de bom que nos aconteceu, e também de nos fazer uma auto-crítica.
Greve. 5 meses parado, e uma perspectiva de 2 anos seguidos de aula para reorganizar o calendário acadêmico. Pressões de todo lado. A vontade de conseguir um bom estágio, arrumar um emprego, e a dura realidade de um estudante de engenharia que ainda cursa seu 3° período. Medo de decepcionar aqueles com quem mais me importo, mesmo sabendo que estou dando o melhor de mim. Mas, acima de tudo, saber que 2012 me trouxe boas lembranças. Todos os momentos que passei com minha família, com meus amigos, com minha namorada, a lembrança de minha primeira viagem com Andressa, todos os momentos que vivi com ela, os abraços, os beijos, as brigas, o carinho. Todos os novos amigos que eu fiz, as amizades que mantive, o perdão de um amigo, e a coragem para mudar.
2012 começou como eu mais queria, mas não terminou exatamente como eu pretendia. Dia 31 de dezembro, ápice das festividades, e cá estou eu preocupado com uma prova da faculdade. 2012 foi um ano de aprendizado, um ano em que senti na pele a força dos meus defeitos. Um ano em que vi meus medos tentando me dominar. Um ano em que senti as pressões que ser adulto trazem para nossa vida. Mas, acima de tudo, também foi um ano mágico. Foi o primeiro ano ao lado de alguém que foi devagarzinho tomando um espaço tão grande no meu coração, que hoje é difícil pensar no futuro e nao pensar nela.
Obrigado a todos que fizeram de 2012 um ano em que agradeci pelo mundo não ter acabado no dia 21 de dezembro. Obrigado à Andressa, por ter estado sempre do meu lado, mesmo nos momentos em que eu fui mais chato, obrigado a minha mãe, ao meu irmão e a minha tia/avó, por nunca terem me deixado e por sempre me perdoarem, obrigado ao meu pai, que mesmo longe, nunca esteve em nenhum momento tão distante ao ponto de que não pudesse me socorrer, em todos os sentidos. Obrigado aos meus amigos, por me escutarem quando eu mais precisava falar, e obrigado ao Universo, por essa vida de possibilidades, por essa vida onde eu posso ir até onde tiver forças para sonhar.
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
Responda rapidamente: quem você deletaria de sua memória sem pensar duas vezes? Proponho que você anote esse nome em algum lugar e vá assistir a O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, que levanta uma questão na qual as vezes pensamos: existem memórias ruins?
Antes de mais nada, devo admitir que eu pouco conhecia do outro lado artístico de Jim Carrey: para mim seus filmes se resumiam à pastelões americanos, a lá O Máscara e Ace Ventura. Portanto, se não fosse por minha namorada, provavelmente nunca teria assistido a O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, e isso seria uma pena. Tanto o filme quanto a atuação de Jim Carrey foram uma surpresa extramamente positiva para mim.
Joel Barish (Jim Carrey) é um cara tímido que arruma uma namorada, Clementine (Kate Winslet), cuja personalidade é oposta à dele. Mesmo assim, os dois começam a namorar e, juntos, constroem uma história. Todavia, depois de um tempo, veio aquele marasmo e os problemas ficaram mais freqüentes que os sorrisos, e o relacionamento termina. Sofrer por amor, porém, não é mais preciso. Basta ir à Lacuna Inc. e ter todas as memórias sobre determinada pessoa, animal, ou fato, deletadas de sua mente para sempre. Clementine resolve então contratar a empresa do doutor Howard Mierzwaik (Tom Wilkinson) para apagar da memória todos os momentos que viveu com Joel. Quando ele descobre a tramóia, não pensa duas vezes e contrata a empresa para fazer o mesmo serviço em sua mente, desta vez eliminando a ex-namorada, mas, durante a cirurgia, percebe que quer manter as memórias e faz de tudo para evitar que estas sejam removidas de seu cérebro. Joel começa então uma luta em sua própria mente para tentar não esquecer Clementine, levando-a para lugares em sua memória onde ela não esteve na verdade, assim escondendo-a do "deletamento" ao qual estava se submetendo.
A princípio temos uma certa dificuldade para compreender exatamente o que está acontecendo, mas logo tudo vai ficando cada vez mais claro e mais interessante. O roteiro é louco, mas muito bem amarrado. Apesar de ficarmos um pouco perdido durante grande parte do filme, pensando nele aos poucos é possível perceber que tudo se encaixa maravilhosamente bem. Constantemente entramos dentro da mente de Joel na história, conhecendo o passado do personagem, o que pode confundir os menos atentos pelas constantes idas e vindas. Aliás, a atenção é um dos pontos importantíssimos que uma pessoa deve ter ao assistir Brilho Eterno.
Ao longo do filme, momentos bons são contrastados com momentos muito ruins da relação, o que nos faz torcer por eles, pois é claramente possível ver o quanto os personagens se amavam antes da decisão de um deletar o outro. Isso torna o filme muito terno, sensível, tocante, pois sabemos que aquele tipo de situação está presente na vida de qualquer um. Deixando as besteiradas de lado, será que apagar uma pessoa da cabeça valeria realmente a pena? Será que, mesmo com todos os problemas dentre uma relação, o caminho mais fácil é simplesmente esquecer tudo o que já passou com a pessoa amada? Imaginem quantos filhos não iriam apagar seus pais da cabeça, quantas namoradas(os) iriam apagar namorados(as) por besteiras ou quantas histórias iriam sumir apenas por ser muito mais fácil esquece-las do que tentar vencer obstáculos? Será que se pudessemos recomeçar tudo de novo, faríamos tudo diferente? Nós somos quem nós somos, e a menos que deixemos parte de nossa personalidade para trás, a vida nos levará sempre ao mesmo lugar: nós mesmos.
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças não é somente uma experiência que brinca com a mente humana: é um filme triste. Portanto, se você resolver assisti-lo, prepare-se para ter vontade de entrar em suas próprias lembranças, buscando pessoas que passaram por sua vida e estão escondidos em cantos isolados de sua mente. E, claro, chegar à conclusão de que sempre devemos nos lembrar dos bons momentos que vivemos, não importa com quem, pois tudo que já aconteceu faz parte daquilo que nos fez ser quem somos hoje. Deixar o passado fluir, sem querer nos forçar esquecer aquilo que não pode ser esquecido, isso faz parte do amadurecimento.
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças pode não ser a escolha ideal para quem não gosta de ser desafiado a pensar.
Entrelinhas
Jim Carrey me provou que pode ser tambem um ótimo ator dramático, e o filme também conta com um ótimo elenco de apoio, formado por Elijah Wood, o Frodo de O Senhor dos Anéis (jamais ligaria os pontos se não checasse o elenco na internet) e Mark Ruffalo, o Hulk de Os Vingadores.
Antes de mais nada, devo admitir que eu pouco conhecia do outro lado artístico de Jim Carrey: para mim seus filmes se resumiam à pastelões americanos, a lá O Máscara e Ace Ventura. Portanto, se não fosse por minha namorada, provavelmente nunca teria assistido a O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, e isso seria uma pena. Tanto o filme quanto a atuação de Jim Carrey foram uma surpresa extramamente positiva para mim.
Joel Barish (Jim Carrey) é um cara tímido que arruma uma namorada, Clementine (Kate Winslet), cuja personalidade é oposta à dele. Mesmo assim, os dois começam a namorar e, juntos, constroem uma história. Todavia, depois de um tempo, veio aquele marasmo e os problemas ficaram mais freqüentes que os sorrisos, e o relacionamento termina. Sofrer por amor, porém, não é mais preciso. Basta ir à Lacuna Inc. e ter todas as memórias sobre determinada pessoa, animal, ou fato, deletadas de sua mente para sempre. Clementine resolve então contratar a empresa do doutor Howard Mierzwaik (Tom Wilkinson) para apagar da memória todos os momentos que viveu com Joel. Quando ele descobre a tramóia, não pensa duas vezes e contrata a empresa para fazer o mesmo serviço em sua mente, desta vez eliminando a ex-namorada, mas, durante a cirurgia, percebe que quer manter as memórias e faz de tudo para evitar que estas sejam removidas de seu cérebro. Joel começa então uma luta em sua própria mente para tentar não esquecer Clementine, levando-a para lugares em sua memória onde ela não esteve na verdade, assim escondendo-a do "deletamento" ao qual estava se submetendo.
A princípio temos uma certa dificuldade para compreender exatamente o que está acontecendo, mas logo tudo vai ficando cada vez mais claro e mais interessante. O roteiro é louco, mas muito bem amarrado. Apesar de ficarmos um pouco perdido durante grande parte do filme, pensando nele aos poucos é possível perceber que tudo se encaixa maravilhosamente bem. Constantemente entramos dentro da mente de Joel na história, conhecendo o passado do personagem, o que pode confundir os menos atentos pelas constantes idas e vindas. Aliás, a atenção é um dos pontos importantíssimos que uma pessoa deve ter ao assistir Brilho Eterno.
Ao longo do filme, momentos bons são contrastados com momentos muito ruins da relação, o que nos faz torcer por eles, pois é claramente possível ver o quanto os personagens se amavam antes da decisão de um deletar o outro. Isso torna o filme muito terno, sensível, tocante, pois sabemos que aquele tipo de situação está presente na vida de qualquer um. Deixando as besteiradas de lado, será que apagar uma pessoa da cabeça valeria realmente a pena? Será que, mesmo com todos os problemas dentre uma relação, o caminho mais fácil é simplesmente esquecer tudo o que já passou com a pessoa amada? Imaginem quantos filhos não iriam apagar seus pais da cabeça, quantas namoradas(os) iriam apagar namorados(as) por besteiras ou quantas histórias iriam sumir apenas por ser muito mais fácil esquece-las do que tentar vencer obstáculos? Será que se pudessemos recomeçar tudo de novo, faríamos tudo diferente? Nós somos quem nós somos, e a menos que deixemos parte de nossa personalidade para trás, a vida nos levará sempre ao mesmo lugar: nós mesmos.
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças não é somente uma experiência que brinca com a mente humana: é um filme triste. Portanto, se você resolver assisti-lo, prepare-se para ter vontade de entrar em suas próprias lembranças, buscando pessoas que passaram por sua vida e estão escondidos em cantos isolados de sua mente. E, claro, chegar à conclusão de que sempre devemos nos lembrar dos bons momentos que vivemos, não importa com quem, pois tudo que já aconteceu faz parte daquilo que nos fez ser quem somos hoje. Deixar o passado fluir, sem querer nos forçar esquecer aquilo que não pode ser esquecido, isso faz parte do amadurecimento.
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças pode não ser a escolha ideal para quem não gosta de ser desafiado a pensar.
Entrelinhas
Jim Carrey me provou que pode ser tambem um ótimo ator dramático, e o filme também conta com um ótimo elenco de apoio, formado por Elijah Wood, o Frodo de O Senhor dos Anéis (jamais ligaria os pontos se não checasse o elenco na internet) e Mark Ruffalo, o Hulk de Os Vingadores.
Adeus, Tropical
domingo, 23 de dezembro de 2012
De toda a cidade de Araraquara, um dos lugares que mais me traz lembranças boas é o diferente Shopping Tropical. Quando eu era pequeno, íamos quase todo fim de semana passear lá. O shopping era simplesmente lindo. Diferente do design desses shoppings modernos, que são sempre iguais, o Shopping Tropical tinha uma arquitetura toda particular: com algumas áreas descobertas, era amplo, mas só tinha dois andares.
Tudo Tem Seu Tempo
A vida é uma sequência de momentos, experiências que não voltam mais. Parece triste pensar dessa maneira, mas a mágica da vida é justamente essa transformação. Não estamos presos a nada, e podemos ir até onde tivermos força pra sonhar.
Como diz o ditado popular: recordar é viver. Conheço pessoas que não gostam de lembrar do passado, nem de rever fotos antigas; se entregam à tristeza e lamentam o tempo que passou. Acho que um dia eu já fui assim também (apesar da minha pouca idade), hoje não mais. O sentimento de nostalgia que sinto quando lembro de coisas que passaram não é de tristeza, mas de saudade de um tempo que passou, uma lembrança positiva, um misto de gratidão pelas coisas boas e pelos bons momentos que aconteceram, mas não um desejo de voltar de novo ao passado. Tudo tem sua fase, e toda fase tem seu momento. Eu não sou mais agora o mesmo que fui anos atrás e amanhã não serei mais quem eu sou hoje. Devemos honrar a memória do que passou, lembrar, nostálgicos, sim, mas felizes. Felizes também por estarmos em uma nova época, com seus próprios momentos, com suas próprias alegrias.
A vida é o presente. Para sermos felizes precisamos não focar no futuro, nem ficarmos presos no passado. Fora do presente, só o essencial. Recordar para sorrir, pensar no amanhã apenas com aquilo que nos será necessário. De resto, viva o presente. A vida é, e está acontecendo agora.
Como diz o ditado popular: recordar é viver. Conheço pessoas que não gostam de lembrar do passado, nem de rever fotos antigas; se entregam à tristeza e lamentam o tempo que passou. Acho que um dia eu já fui assim também (apesar da minha pouca idade), hoje não mais. O sentimento de nostalgia que sinto quando lembro de coisas que passaram não é de tristeza, mas de saudade de um tempo que passou, uma lembrança positiva, um misto de gratidão pelas coisas boas e pelos bons momentos que aconteceram, mas não um desejo de voltar de novo ao passado. Tudo tem sua fase, e toda fase tem seu momento. Eu não sou mais agora o mesmo que fui anos atrás e amanhã não serei mais quem eu sou hoje. Devemos honrar a memória do que passou, lembrar, nostálgicos, sim, mas felizes. Felizes também por estarmos em uma nova época, com seus próprios momentos, com suas próprias alegrias.
A vida é o presente. Para sermos felizes precisamos não focar no futuro, nem ficarmos presos no passado. Fora do presente, só o essencial. Recordar para sorrir, pensar no amanhã apenas com aquilo que nos será necessário. De resto, viva o presente. A vida é, e está acontecendo agora.
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