Enquanto a Pixar dava uma de Disney e criava a sua princesa em Valente, a Disney Animation foi dar uma de Pixar e fazer o seu próprio Toy Story. Porém, em vez dos brinquedos que ganham vida quando ninguém está olhando, Detona Ralph mostra o que os personagens dos videogames fazem depois do último game over do dia.
O longa conta a história de Ralph, que tem sido por 30 anos o vilão do jogo Conserta Félix Jr., uma relíquia do fliperama. Porém, cansado de ser posto de lado por todos os outros que vangloriam apenas o herói que dá nome ao jogo e as suas muitas medalhas de ouro, Ralph resolve fugir da sua programação, e tentar a sorte nos demais jogos, para enfim conseguir a medalha que lhe dará um pouco do sonhado reconhecimento. Do mundo dos 8 bits onde ele ainda resistia bravamente, Ralph vai parar em um moderníssimo jogo de tiro em primeira pessoa de alta definição ambientado em um planeta alienígena cheio de insetos gigantes voadores. É claro que o resultado não podia ser outro: ele causa a maior confusão e coloca em risco todo o universo que existe por trás dos jogos daquele arcade. Nesse meio tempo, Ralph vai parar no jogo Sugar Rush, uma mistura de Mario Kart e Speed Racer com garotas pilotando carros de guloseimas, onde conhece Venellope, uma adorável pilota que por ter um bug, uma falha de programação, é discriminada e não pode participar das corridas. Unidos pelo sentimento de exclusão, Ralph e Venellope se tornam amigos, e agora, antes de conseguir voltar para casa, ele vai ter de ajudar a pequena corredora a vencer uma corrida.
O filme começa de forma genial. A apresentação do divertido universo em que, fora do expediente, vilões se encontram no lar do fantasma de Pacman, e personagens de jogos ultrapassados são largados à mendicância na estação central é digna de um oscar.
Principalmente durante o começo do filme são inúmeras as referências a diversos jogos, que testarão os conhecimentos gamísticos da platéia: desde a reunião de vilões na sala dos fantasmas de Pac-man (que conta com alguns dos mais famosos personagens da história dos videogames) até a tomada central que une todas as máquinas, haverá diversas tiradinhas fazendo referência a clássicos como Asteroids, Space Invaders, Pong, Street Fighter e muitos outros jogos. Os pequenos não devem se ligar muito, mas os mais viciados com certa idade, como eu, certamente irão à loucura. Algumas cenas, como aquela em que Kano aplica seu clássico fatality (sim, o do coração), ou a senha usada para abrir a sala de programação ser o clássico código da Konami dos anos 90 realizado em um controle do Nintendinho, estão ali apenas para a alegria dos gamers.
Com um roteiro bem costurado, cada personagem, em vez de só inchar o elenco e disparar piadinhas específicas, tem diversas oportunidades de descobrir maneiras inusitadas de empregar os seus dons e crescer na narrativa.
O diretor ainda capricha ao conferir a cada jogo uma assinatura visual específica: em Conserta Félix Jr., os objetos de 8-bits têm contornos retangulares, os personagens movimentam-se quase em um stop-motion, que reproduzem a limitação técnica de antigamente, e os sons são bem característicos; já em Missão de Herói, a alta definição da Sargento Calhoun e a liberdade de movimento conferem o grau de realismo esperado do mais recente lançamento.
Infelizmente, o filme perde um pouco do brilho no segundo ato, quando o mote passa a ser a amizade que Ralph constrói com Vanellope. Apesar da premissa ser legal, o filme se torna um tanto quanto infantil, o que é até compreensível por ser um filme voltado para o público mais novo, e as referências ao mundo dos games passa a se resumir a algumas citações
Apesar desse deslize, o longa volta a brilhar a partir do começo do último ato. Apresentando uma conclusão sensível e doce, capaz até de provocar discretas lágrimas, e ação na medida, Detona Ralph nos ensina a aceitar o nosso papel na sociedade, sela ele qual for, e desempenhá-lo com prazer e da melhor maneira possível, mesmo que isso não nos renda os fogos de artifício esperados.
Achei que o brilho do final foi que nenhum dos personagens magicamente deixaram de ser quem eram antes para ter um lindo final feliz. Cada um deles aprendeu a viver com o melhor que têm. Acima da média para um final de filme infantil.
Enfim, Detona Ralph abre o ano de animações com alto nível de qualidade.A ideia é genial, e se, bem explorada, pode gerar ótimas sequencias.
Apesar de tudo, se você nunca pegou num videogame na vida e já não é mais criança é melhor ser cauteloso quanto a esse filme. Mas isso não importa. Esse não é o meu caso.
Entrelinhas
Paperman, o curta-metragem exibido antes do início do filme, é lindo.
Ah, e não se esqueçam que Detona Ralph é um filme infantil, e, portanto, a sala estará repleta de crianças. Se já faz um tempo desde a última vez que você foi ao cinema com uma, já vá sabendo que no início pode ser extremamente irritante. Elas não param de falar, e em alguns momentos do filme, principalmente no começo, é difícil escutar o que os personagens estão falando. Além disso, você pode ter a "sorte" de, como eu, sentar do lado de uma criança que faz o favor de comentar cada cena do filme. Eu me senti um velho. Mas relaxe e curta o filme. Um dia nós fomos crianças também.
As Aventuras de Pi
domingo, 6 de janeiro de 2013
Quando li a sinopse de As Aventuras de Pi pela primeira vez, quase que descartei por completo a possibilidade de ver o filme nos cinemas. Não me interessei pela trama. Não gosto de filmes sobre sobreviventes de acidentes trágicos, que narram sua luta diária para sobreviver. Porém, depois de assistir o trailer, percebi que o filme é mais do que uma história de sobrevivência, e sim, uma história de superação, e porque não, de fé.
Outro clichê que quase que me desinteressou de assistir o filme: seu alto teor religioso. Inicialmente, achei que a história ia focar no poder milagroso de superação da fé, que faria com que o protagonista superasse a tudo e a todos. Na prática, sabemos que não é bem assim. Porém, ao término do filme, percebi que a importância da fé não é acreditar em um Deus, ou em vários deles, mas, sim, em acreditar em algo, acreditar em si mesmo, e na nossa capacidade de superação. E essa força, essa vontade, vem de nós mesmos. As Aventuras de Pi não é um filme sobre um náufrago em uma situação inusitada e seu salvamento quase mágico. É sim uma história sobre como enfrentar adversidades. Sobre como enxergar o melhor lado de uma situação potencialmente traumática e transformadora. É sobre como se transformar para não se deixar ser transformado em sua essência. Sempre existe mais de uma maneira para enxergar algo, e cabe a cada um encontrar a melhor.
Pi Patel é um garoto indiano que vive com sua família em um zoológico. Como os negócios não vão bem, seu pai resolve embarcar com a família e seus animais para iniciar vida nova no Canadá. Para isso terão que enfrentar uma viagem de navio que não acaba nada bem. Único sobrevivente do desastre, Pi terá que dividir o espaço no bote com uma hiena, uma zebra ferida, um orangotango e um tigre de bengala chamado Richard Parker. As escolhas que terá que fazer e as atitudes que terá que tomar para sobreviver podem transformar Pi e tudo em que ele acredita.
As Aventuras de Pi começa um tanto quanto devagar. Ele leva certo tempo para começar, passando um período enorme em explicações e conversas. Mas essa suposta lentidão inicial se mostra extremamente necessária para construir o personagem e nos fazer compreender o seu comportamento diante dos acontecimentos posteriores.
A trama muda totalmente de rumo quando Pi sobrevive ao trágico acidente. A partir desse momento, alguns podem pensar que o rumo do filme é tomado pela questão da vida ou morte do protagonista. Ledo engano. O rumo das aventuras é tomado por surpresas, estas ilustradas ainda mais pela tecnologia 3D muitíssimo bem utilizada. Com surpresas, sustos e uma bela combinação, imagens espetaculares são lançadas aos olhos do público.
O belo uso do 3D cria o que faltava para nos sentirmos imersos na solidão do personagem em alto-mar. O mar infinto, que, inúmeras vezes, se confunde com céu, é de uma beleza ímpar. Mas o que ele tem de belo, tem de assustador. Acho que mais que medo, o mar nos inspira respeito. Como o filme fez questão de mostrar, somos muito pequenos diante de toda a sua vastidão e poder.
Como se tudo isso não bastasse, ainda temos um tigre recriado digitalmente que beira a perfeição, tornando difícil a tarefa de distinguir muitas das tomadas onde o animal real foi usado e onde o dublê digital assumiu a cena.
Visual, emocional e espiritual são unidos de forma grandiosa, tratando das micro e macro visões da vida, constantemente fundidas, formando paradoxos infinitos, nos quais o um é o todo e o todo é um. Impossível não se sentir parte do universo de Pi.
Mesmo com todos esse aspectos citados, o ponto principal da história, e que mais mexe com o espectador, é a relação entre Pi e o tigre. Richard Park passa de uma simples besta feroz para um companheiro de viagem não só do jovem Pi, mas de todos nós. A relação, que envolve respeito, medo e companheirismo, não para de evoluir e é difícil imaginar como ela vai acabar. A despedida dói no espectador.
Um ponto que deve ser citado é que, apesar do tempo encurtado de exposição não permitir que sinta-se pena pelos outros animais náufragos, gradativamente devorados por Richard Parker, acho que isso leva o filme a não ser indicado para crianças muito pequenas, que podem não suportar a primeira parte do filme.
Infelizmente, o final me pareceu simplista demais em comparação ao que eu esperava.
Como diz o famoso ditado. “Quem conta um conto, aumenta um ponto”. Às vezes, contos são narrados de tal maneira que viram fantasias. Tudo, porém, baseado em um fato. O final do filme nos faz a pergunta: o que será verdadeiro na ficção? Ou ainda: pode a ficção ser verdadeira? Cabe a nós a resposta a essa pergunta.
Entrelinhas
Pra quem não sabe, As Aventuras de Pi foi baseado no livro homônimo do canadense Yann Martel. O que pouca gente sabe é que o livro é acusado de ter plagiado a história de outro livro: Max e Os Felinos, do brasileiro Moacyr Scliar.
O livro de Scliar se tratava de um judeu refugiado a caminho do Brasil, que no barco salva-vidas tinha que conviver com um jaguar.
Para minha surpresa, parece que Martel chegou a admitir que leu a sinopse de Max e Os Felinos e se inspirou diretamente nela para criar a sua história.
O brasileiro ficou sabendo disso e, no entanto, recusou-se a processar o outro, achando que era difícil e trabalhoso demais.
Martel passou a colocar nas edições posteriores do seu livro uma referencia logo na primeira página, dizendo que realmente se inspirou em Scliar, o que, cá entre nós, já deveria ter feito antes.
Outro clichê que quase que me desinteressou de assistir o filme: seu alto teor religioso. Inicialmente, achei que a história ia focar no poder milagroso de superação da fé, que faria com que o protagonista superasse a tudo e a todos. Na prática, sabemos que não é bem assim. Porém, ao término do filme, percebi que a importância da fé não é acreditar em um Deus, ou em vários deles, mas, sim, em acreditar em algo, acreditar em si mesmo, e na nossa capacidade de superação. E essa força, essa vontade, vem de nós mesmos. As Aventuras de Pi não é um filme sobre um náufrago em uma situação inusitada e seu salvamento quase mágico. É sim uma história sobre como enfrentar adversidades. Sobre como enxergar o melhor lado de uma situação potencialmente traumática e transformadora. É sobre como se transformar para não se deixar ser transformado em sua essência. Sempre existe mais de uma maneira para enxergar algo, e cabe a cada um encontrar a melhor.
Pi Patel é um garoto indiano que vive com sua família em um zoológico. Como os negócios não vão bem, seu pai resolve embarcar com a família e seus animais para iniciar vida nova no Canadá. Para isso terão que enfrentar uma viagem de navio que não acaba nada bem. Único sobrevivente do desastre, Pi terá que dividir o espaço no bote com uma hiena, uma zebra ferida, um orangotango e um tigre de bengala chamado Richard Parker. As escolhas que terá que fazer e as atitudes que terá que tomar para sobreviver podem transformar Pi e tudo em que ele acredita.
As Aventuras de Pi começa um tanto quanto devagar. Ele leva certo tempo para começar, passando um período enorme em explicações e conversas. Mas essa suposta lentidão inicial se mostra extremamente necessária para construir o personagem e nos fazer compreender o seu comportamento diante dos acontecimentos posteriores.
A trama muda totalmente de rumo quando Pi sobrevive ao trágico acidente. A partir desse momento, alguns podem pensar que o rumo do filme é tomado pela questão da vida ou morte do protagonista. Ledo engano. O rumo das aventuras é tomado por surpresas, estas ilustradas ainda mais pela tecnologia 3D muitíssimo bem utilizada. Com surpresas, sustos e uma bela combinação, imagens espetaculares são lançadas aos olhos do público.
O belo uso do 3D cria o que faltava para nos sentirmos imersos na solidão do personagem em alto-mar. O mar infinto, que, inúmeras vezes, se confunde com céu, é de uma beleza ímpar. Mas o que ele tem de belo, tem de assustador. Acho que mais que medo, o mar nos inspira respeito. Como o filme fez questão de mostrar, somos muito pequenos diante de toda a sua vastidão e poder.
Como se tudo isso não bastasse, ainda temos um tigre recriado digitalmente que beira a perfeição, tornando difícil a tarefa de distinguir muitas das tomadas onde o animal real foi usado e onde o dublê digital assumiu a cena.
Visual, emocional e espiritual são unidos de forma grandiosa, tratando das micro e macro visões da vida, constantemente fundidas, formando paradoxos infinitos, nos quais o um é o todo e o todo é um. Impossível não se sentir parte do universo de Pi.
Mesmo com todos esse aspectos citados, o ponto principal da história, e que mais mexe com o espectador, é a relação entre Pi e o tigre. Richard Park passa de uma simples besta feroz para um companheiro de viagem não só do jovem Pi, mas de todos nós. A relação, que envolve respeito, medo e companheirismo, não para de evoluir e é difícil imaginar como ela vai acabar. A despedida dói no espectador.
Um ponto que deve ser citado é que, apesar do tempo encurtado de exposição não permitir que sinta-se pena pelos outros animais náufragos, gradativamente devorados por Richard Parker, acho que isso leva o filme a não ser indicado para crianças muito pequenas, que podem não suportar a primeira parte do filme.
Infelizmente, o final me pareceu simplista demais em comparação ao que eu esperava.
Como diz o famoso ditado. “Quem conta um conto, aumenta um ponto”. Às vezes, contos são narrados de tal maneira que viram fantasias. Tudo, porém, baseado em um fato. O final do filme nos faz a pergunta: o que será verdadeiro na ficção? Ou ainda: pode a ficção ser verdadeira? Cabe a nós a resposta a essa pergunta.
Entrelinhas
Pra quem não sabe, As Aventuras de Pi foi baseado no livro homônimo do canadense Yann Martel. O que pouca gente sabe é que o livro é acusado de ter plagiado a história de outro livro: Max e Os Felinos, do brasileiro Moacyr Scliar.
O livro de Scliar se tratava de um judeu refugiado a caminho do Brasil, que no barco salva-vidas tinha que conviver com um jaguar.
Para minha surpresa, parece que Martel chegou a admitir que leu a sinopse de Max e Os Felinos e se inspirou diretamente nela para criar a sua história.
O brasileiro ficou sabendo disso e, no entanto, recusou-se a processar o outro, achando que era difícil e trabalhoso demais.
Martel passou a colocar nas edições posteriores do seu livro uma referencia logo na primeira página, dizendo que realmente se inspirou em Scliar, o que, cá entre nós, já deveria ter feito antes.
Adeus, Ano Velho! Feliz Ano Novo!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Diferentes culturas sempre comemoram a passagem do ano como um ritual
festivo de representação do início de um novo ciclo de vida, novos
acontecimentos, transformações. As
primeiras comemorações tiveram início há cerca de 2 mil anos antes da
era cristã, quando os antigos babilônios festejavam o recomeço do ciclo
anual, época que coincidia, não por acaso, com o início da primavera
no hemisfério norte e a plantação de novas safras. O
ritual de comemoração do Ano Novo teve uma origem diretamente ligada à
natureza, aos ciclos celestes e lunares e à agricultura. Daí veio a idéia de
recomeço, preservada até os dias atuais. A comemoração do povo da
Babilônia durava vários dias e equivaleria, hoje, ao dia 23 de março.
A história da comemoração ocidental associa-se diretamente ao calendário romano, quando Júlio César decretou o 1º de janeiro como o Dia do Ano Novo em 46 a.C. O nome do mês derivado do deus Jano, que tinha uma face voltada para frente (visualizando o futuro) e outra para trás (visualizando o passado), o que empresta ainda mais significado à data.
Datas a parte, o reveillon é o fim de um ciclo e início de outro. É o momento de aproveitarmos a oportunidade para rever nossos objetivos e enchermos o coração de esperança. É o momento de lembrarmos de tudo de bom que nos aconteceu, e também de nos fazer uma auto-crítica.
Greve. 5 meses parado, e uma perspectiva de 2 anos seguidos de aula para reorganizar o calendário acadêmico. Pressões de todo lado. A vontade de conseguir um bom estágio, arrumar um emprego, e a dura realidade de um estudante de engenharia que ainda cursa seu 3° período. Medo de decepcionar aqueles com quem mais me importo, mesmo sabendo que estou dando o melhor de mim. Mas, acima de tudo, saber que 2012 me trouxe boas lembranças. Todos os momentos que passei com minha família, com meus amigos, com minha namorada, a lembrança de minha primeira viagem com Andressa, todos os momentos que vivi com ela, os abraços, os beijos, as brigas, o carinho. Todos os novos amigos que eu fiz, as amizades que mantive, o perdão de um amigo, e a coragem para mudar.
2012 começou como eu mais queria, mas não terminou exatamente como eu pretendia. Dia 31 de dezembro, ápice das festividades, e cá estou eu preocupado com uma prova da faculdade. 2012 foi um ano de aprendizado, um ano em que senti na pele a força dos meus defeitos. Um ano em que vi meus medos tentando me dominar. Um ano em que senti as pressões que ser adulto trazem para nossa vida. Mas, acima de tudo, também foi um ano mágico. Foi o primeiro ano ao lado de alguém que foi devagarzinho tomando um espaço tão grande no meu coração, que hoje é difícil pensar no futuro e nao pensar nela.
Obrigado a todos que fizeram de 2012 um ano em que agradeci pelo mundo não ter acabado no dia 21 de dezembro. Obrigado à Andressa, por ter estado sempre do meu lado, mesmo nos momentos em que eu fui mais chato, obrigado a minha mãe, ao meu irmão e a minha tia/avó, por nunca terem me deixado e por sempre me perdoarem, obrigado ao meu pai, que mesmo longe, nunca esteve em nenhum momento tão distante ao ponto de que não pudesse me socorrer, em todos os sentidos. Obrigado aos meus amigos, por me escutarem quando eu mais precisava falar, e obrigado ao Universo, por essa vida de possibilidades, por essa vida onde eu posso ir até onde tiver forças para sonhar.
A história da comemoração ocidental associa-se diretamente ao calendário romano, quando Júlio César decretou o 1º de janeiro como o Dia do Ano Novo em 46 a.C. O nome do mês derivado do deus Jano, que tinha uma face voltada para frente (visualizando o futuro) e outra para trás (visualizando o passado), o que empresta ainda mais significado à data.
Datas a parte, o reveillon é o fim de um ciclo e início de outro. É o momento de aproveitarmos a oportunidade para rever nossos objetivos e enchermos o coração de esperança. É o momento de lembrarmos de tudo de bom que nos aconteceu, e também de nos fazer uma auto-crítica.
Greve. 5 meses parado, e uma perspectiva de 2 anos seguidos de aula para reorganizar o calendário acadêmico. Pressões de todo lado. A vontade de conseguir um bom estágio, arrumar um emprego, e a dura realidade de um estudante de engenharia que ainda cursa seu 3° período. Medo de decepcionar aqueles com quem mais me importo, mesmo sabendo que estou dando o melhor de mim. Mas, acima de tudo, saber que 2012 me trouxe boas lembranças. Todos os momentos que passei com minha família, com meus amigos, com minha namorada, a lembrança de minha primeira viagem com Andressa, todos os momentos que vivi com ela, os abraços, os beijos, as brigas, o carinho. Todos os novos amigos que eu fiz, as amizades que mantive, o perdão de um amigo, e a coragem para mudar.
2012 começou como eu mais queria, mas não terminou exatamente como eu pretendia. Dia 31 de dezembro, ápice das festividades, e cá estou eu preocupado com uma prova da faculdade. 2012 foi um ano de aprendizado, um ano em que senti na pele a força dos meus defeitos. Um ano em que vi meus medos tentando me dominar. Um ano em que senti as pressões que ser adulto trazem para nossa vida. Mas, acima de tudo, também foi um ano mágico. Foi o primeiro ano ao lado de alguém que foi devagarzinho tomando um espaço tão grande no meu coração, que hoje é difícil pensar no futuro e nao pensar nela.
Obrigado a todos que fizeram de 2012 um ano em que agradeci pelo mundo não ter acabado no dia 21 de dezembro. Obrigado à Andressa, por ter estado sempre do meu lado, mesmo nos momentos em que eu fui mais chato, obrigado a minha mãe, ao meu irmão e a minha tia/avó, por nunca terem me deixado e por sempre me perdoarem, obrigado ao meu pai, que mesmo longe, nunca esteve em nenhum momento tão distante ao ponto de que não pudesse me socorrer, em todos os sentidos. Obrigado aos meus amigos, por me escutarem quando eu mais precisava falar, e obrigado ao Universo, por essa vida de possibilidades, por essa vida onde eu posso ir até onde tiver forças para sonhar.
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
Responda rapidamente: quem você deletaria de sua memória sem pensar duas vezes? Proponho que você anote esse nome em algum lugar e vá assistir a O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, que levanta uma questão na qual as vezes pensamos: existem memórias ruins?
Antes de mais nada, devo admitir que eu pouco conhecia do outro lado artístico de Jim Carrey: para mim seus filmes se resumiam à pastelões americanos, a lá O Máscara e Ace Ventura. Portanto, se não fosse por minha namorada, provavelmente nunca teria assistido a O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, e isso seria uma pena. Tanto o filme quanto a atuação de Jim Carrey foram uma surpresa extramamente positiva para mim.
Joel Barish (Jim Carrey) é um cara tímido que arruma uma namorada, Clementine (Kate Winslet), cuja personalidade é oposta à dele. Mesmo assim, os dois começam a namorar e, juntos, constroem uma história. Todavia, depois de um tempo, veio aquele marasmo e os problemas ficaram mais freqüentes que os sorrisos, e o relacionamento termina. Sofrer por amor, porém, não é mais preciso. Basta ir à Lacuna Inc. e ter todas as memórias sobre determinada pessoa, animal, ou fato, deletadas de sua mente para sempre. Clementine resolve então contratar a empresa do doutor Howard Mierzwaik (Tom Wilkinson) para apagar da memória todos os momentos que viveu com Joel. Quando ele descobre a tramóia, não pensa duas vezes e contrata a empresa para fazer o mesmo serviço em sua mente, desta vez eliminando a ex-namorada, mas, durante a cirurgia, percebe que quer manter as memórias e faz de tudo para evitar que estas sejam removidas de seu cérebro. Joel começa então uma luta em sua própria mente para tentar não esquecer Clementine, levando-a para lugares em sua memória onde ela não esteve na verdade, assim escondendo-a do "deletamento" ao qual estava se submetendo.
A princípio temos uma certa dificuldade para compreender exatamente o que está acontecendo, mas logo tudo vai ficando cada vez mais claro e mais interessante. O roteiro é louco, mas muito bem amarrado. Apesar de ficarmos um pouco perdido durante grande parte do filme, pensando nele aos poucos é possível perceber que tudo se encaixa maravilhosamente bem. Constantemente entramos dentro da mente de Joel na história, conhecendo o passado do personagem, o que pode confundir os menos atentos pelas constantes idas e vindas. Aliás, a atenção é um dos pontos importantíssimos que uma pessoa deve ter ao assistir Brilho Eterno.
Ao longo do filme, momentos bons são contrastados com momentos muito ruins da relação, o que nos faz torcer por eles, pois é claramente possível ver o quanto os personagens se amavam antes da decisão de um deletar o outro. Isso torna o filme muito terno, sensível, tocante, pois sabemos que aquele tipo de situação está presente na vida de qualquer um. Deixando as besteiradas de lado, será que apagar uma pessoa da cabeça valeria realmente a pena? Será que, mesmo com todos os problemas dentre uma relação, o caminho mais fácil é simplesmente esquecer tudo o que já passou com a pessoa amada? Imaginem quantos filhos não iriam apagar seus pais da cabeça, quantas namoradas(os) iriam apagar namorados(as) por besteiras ou quantas histórias iriam sumir apenas por ser muito mais fácil esquece-las do que tentar vencer obstáculos? Será que se pudessemos recomeçar tudo de novo, faríamos tudo diferente? Nós somos quem nós somos, e a menos que deixemos parte de nossa personalidade para trás, a vida nos levará sempre ao mesmo lugar: nós mesmos.
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças não é somente uma experiência que brinca com a mente humana: é um filme triste. Portanto, se você resolver assisti-lo, prepare-se para ter vontade de entrar em suas próprias lembranças, buscando pessoas que passaram por sua vida e estão escondidos em cantos isolados de sua mente. E, claro, chegar à conclusão de que sempre devemos nos lembrar dos bons momentos que vivemos, não importa com quem, pois tudo que já aconteceu faz parte daquilo que nos fez ser quem somos hoje. Deixar o passado fluir, sem querer nos forçar esquecer aquilo que não pode ser esquecido, isso faz parte do amadurecimento.
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças pode não ser a escolha ideal para quem não gosta de ser desafiado a pensar.
Entrelinhas
Jim Carrey me provou que pode ser tambem um ótimo ator dramático, e o filme também conta com um ótimo elenco de apoio, formado por Elijah Wood, o Frodo de O Senhor dos Anéis (jamais ligaria os pontos se não checasse o elenco na internet) e Mark Ruffalo, o Hulk de Os Vingadores.
Antes de mais nada, devo admitir que eu pouco conhecia do outro lado artístico de Jim Carrey: para mim seus filmes se resumiam à pastelões americanos, a lá O Máscara e Ace Ventura. Portanto, se não fosse por minha namorada, provavelmente nunca teria assistido a O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, e isso seria uma pena. Tanto o filme quanto a atuação de Jim Carrey foram uma surpresa extramamente positiva para mim.
Joel Barish (Jim Carrey) é um cara tímido que arruma uma namorada, Clementine (Kate Winslet), cuja personalidade é oposta à dele. Mesmo assim, os dois começam a namorar e, juntos, constroem uma história. Todavia, depois de um tempo, veio aquele marasmo e os problemas ficaram mais freqüentes que os sorrisos, e o relacionamento termina. Sofrer por amor, porém, não é mais preciso. Basta ir à Lacuna Inc. e ter todas as memórias sobre determinada pessoa, animal, ou fato, deletadas de sua mente para sempre. Clementine resolve então contratar a empresa do doutor Howard Mierzwaik (Tom Wilkinson) para apagar da memória todos os momentos que viveu com Joel. Quando ele descobre a tramóia, não pensa duas vezes e contrata a empresa para fazer o mesmo serviço em sua mente, desta vez eliminando a ex-namorada, mas, durante a cirurgia, percebe que quer manter as memórias e faz de tudo para evitar que estas sejam removidas de seu cérebro. Joel começa então uma luta em sua própria mente para tentar não esquecer Clementine, levando-a para lugares em sua memória onde ela não esteve na verdade, assim escondendo-a do "deletamento" ao qual estava se submetendo.
A princípio temos uma certa dificuldade para compreender exatamente o que está acontecendo, mas logo tudo vai ficando cada vez mais claro e mais interessante. O roteiro é louco, mas muito bem amarrado. Apesar de ficarmos um pouco perdido durante grande parte do filme, pensando nele aos poucos é possível perceber que tudo se encaixa maravilhosamente bem. Constantemente entramos dentro da mente de Joel na história, conhecendo o passado do personagem, o que pode confundir os menos atentos pelas constantes idas e vindas. Aliás, a atenção é um dos pontos importantíssimos que uma pessoa deve ter ao assistir Brilho Eterno.
Ao longo do filme, momentos bons são contrastados com momentos muito ruins da relação, o que nos faz torcer por eles, pois é claramente possível ver o quanto os personagens se amavam antes da decisão de um deletar o outro. Isso torna o filme muito terno, sensível, tocante, pois sabemos que aquele tipo de situação está presente na vida de qualquer um. Deixando as besteiradas de lado, será que apagar uma pessoa da cabeça valeria realmente a pena? Será que, mesmo com todos os problemas dentre uma relação, o caminho mais fácil é simplesmente esquecer tudo o que já passou com a pessoa amada? Imaginem quantos filhos não iriam apagar seus pais da cabeça, quantas namoradas(os) iriam apagar namorados(as) por besteiras ou quantas histórias iriam sumir apenas por ser muito mais fácil esquece-las do que tentar vencer obstáculos? Será que se pudessemos recomeçar tudo de novo, faríamos tudo diferente? Nós somos quem nós somos, e a menos que deixemos parte de nossa personalidade para trás, a vida nos levará sempre ao mesmo lugar: nós mesmos.
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças não é somente uma experiência que brinca com a mente humana: é um filme triste. Portanto, se você resolver assisti-lo, prepare-se para ter vontade de entrar em suas próprias lembranças, buscando pessoas que passaram por sua vida e estão escondidos em cantos isolados de sua mente. E, claro, chegar à conclusão de que sempre devemos nos lembrar dos bons momentos que vivemos, não importa com quem, pois tudo que já aconteceu faz parte daquilo que nos fez ser quem somos hoje. Deixar o passado fluir, sem querer nos forçar esquecer aquilo que não pode ser esquecido, isso faz parte do amadurecimento.
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças pode não ser a escolha ideal para quem não gosta de ser desafiado a pensar.
Entrelinhas
Jim Carrey me provou que pode ser tambem um ótimo ator dramático, e o filme também conta com um ótimo elenco de apoio, formado por Elijah Wood, o Frodo de O Senhor dos Anéis (jamais ligaria os pontos se não checasse o elenco na internet) e Mark Ruffalo, o Hulk de Os Vingadores.
Adeus, Tropical
domingo, 23 de dezembro de 2012
De toda a cidade de Araraquara, um dos lugares que mais me traz lembranças boas é o diferente Shopping Tropical. Quando eu era pequeno, íamos quase todo fim de semana passear lá. O shopping era simplesmente lindo. Diferente do design desses shoppings modernos, que são sempre iguais, o Shopping Tropical tinha uma arquitetura toda particular: com algumas áreas descobertas, era amplo, mas só tinha dois andares.
Tudo Tem Seu Tempo
A vida é uma sequência de momentos, experiências que não voltam mais. Parece triste pensar dessa maneira, mas a mágica da vida é justamente essa transformação. Não estamos presos a nada, e podemos ir até onde tivermos força pra sonhar.
Como diz o ditado popular: recordar é viver. Conheço pessoas que não gostam de lembrar do passado, nem de rever fotos antigas; se entregam à tristeza e lamentam o tempo que passou. Acho que um dia eu já fui assim também (apesar da minha pouca idade), hoje não mais. O sentimento de nostalgia que sinto quando lembro de coisas que passaram não é de tristeza, mas de saudade de um tempo que passou, uma lembrança positiva, um misto de gratidão pelas coisas boas e pelos bons momentos que aconteceram, mas não um desejo de voltar de novo ao passado. Tudo tem sua fase, e toda fase tem seu momento. Eu não sou mais agora o mesmo que fui anos atrás e amanhã não serei mais quem eu sou hoje. Devemos honrar a memória do que passou, lembrar, nostálgicos, sim, mas felizes. Felizes também por estarmos em uma nova época, com seus próprios momentos, com suas próprias alegrias.
A vida é o presente. Para sermos felizes precisamos não focar no futuro, nem ficarmos presos no passado. Fora do presente, só o essencial. Recordar para sorrir, pensar no amanhã apenas com aquilo que nos será necessário. De resto, viva o presente. A vida é, e está acontecendo agora.
Como diz o ditado popular: recordar é viver. Conheço pessoas que não gostam de lembrar do passado, nem de rever fotos antigas; se entregam à tristeza e lamentam o tempo que passou. Acho que um dia eu já fui assim também (apesar da minha pouca idade), hoje não mais. O sentimento de nostalgia que sinto quando lembro de coisas que passaram não é de tristeza, mas de saudade de um tempo que passou, uma lembrança positiva, um misto de gratidão pelas coisas boas e pelos bons momentos que aconteceram, mas não um desejo de voltar de novo ao passado. Tudo tem sua fase, e toda fase tem seu momento. Eu não sou mais agora o mesmo que fui anos atrás e amanhã não serei mais quem eu sou hoje. Devemos honrar a memória do que passou, lembrar, nostálgicos, sim, mas felizes. Felizes também por estarmos em uma nova época, com seus próprios momentos, com suas próprias alegrias.
A vida é o presente. Para sermos felizes precisamos não focar no futuro, nem ficarmos presos no passado. Fora do presente, só o essencial. Recordar para sorrir, pensar no amanhã apenas com aquilo que nos será necessário. De resto, viva o presente. A vida é, e está acontecendo agora.
Uma Jornada Inesquecível
sábado, 22 de dezembro de 2012
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada era, com certeza, um dos filmes mais esperados do ano. A ansiedade de acompanhar novamente a magia que marcou O Senhor dos Anéis em uma nova viagem pela Terra-Média era grande.
Os hobbits são criaturas tranquilas, que adoram ficar em casa fumando cachimbo, e Bilbo não é diferente. Mas sua vida muda quando o mago Gandalf arranja um jantar surpresa na casa do hobbit e convida 13 anões sem avisá-lo. Eles planejam atravessar a Terra-Média, vencer um dragão e recuperar o reino perdido do príncipe anão Thorin. Por ser pequeno e silencioso, eles querem Bilbo no papel de ladrão na jornada. Sem querer, um espírito aventureiro é desperto dentro do pequeno hobbit e ele decide seguir jornada com os anões. Esse é só o início da maior aventura de sua vida.
Após assistir Uma Jornada Inesperada, dá pra dizer sem medo que Peter Jackson conseguiu outra vez. Ele trouxe de volta a magia que já tinha encontrado e cultivado nos três filmes anteriores, mas não sem dar a este a atmosfera mais leve que ele deveria ter.
O Hobbit é muito mais dinâmica do que a trilogia do anel, nele Tolkien não se perdeu em descrições e explicações: tudo é mais direto ao ponto, mais inocente e os alívios cômicos quase inexistentes na saga de Frodo são abundantes aqui. O Senhor dos Anéis tem um enredo muito mais complexo, desprovido de muito humor e com temas morais e filosóficos bem mais desenvolvidos. As diferenças entre as duas obras podem ser perturbadoras para alguns leitores, e você deve ter essa diferença clara em mente quando entrar na sala de cinema para ver o filme. Muitas dessas diferenças surgiram porque Tolkien escreveu O Hobbit como uma história para crianças, e O Senhor dos Anéis para o mesmo público, que posteriormente tinha crescido desde a sua publicação.
No romance, muitas das cenas são extremamente curtas, de forma que se fossem representadas no filme não teriam mais que dois ou três minutos cada. Então a adição de falas e ações foram necessárias, além de modificações no enredo que procuram adequar cenas que não funcionariam tão bem no cinema quanto funcionaram no livro, como dar aos personagens propósitos mais profundos e mais bem explicados que na obra literária - os anões no livro querem apenas o ouro escondido na montanha, no filme eles querem recuperar o lar usurpado pelo dragão.
Ficou claro nesse filme que a intenção de Peter em retornar a franquia não era a de só contar a história de Bilbo, mas, sim, de ligá-la e entrelaçar a trama com a do Senhor dos Aneis, já que Tolkien ao morrer ainda trabalhava tentando estabelecer as pontes entre as duas obras. Caso não saiba, quando Tolkien escreveu O Hobbit ele ainda não tinha em mente a história do SdA. Por esse motivo, vários dos elementos presentes na obra do hobbit e que não foram desenvolvidos nesse romance foram posteriormente retomados e desenvolvidos em o SdA.
É justamente aqui que entra o toque mágico de Peter Jackson. Para ajudar a encorpar a história do filme (não estava claro como que o pequeno livro – de 298 páginas – renderia material para três longas de quase três horas cada) ele optou por adicionar diversas cenas não descritas no livro, mas contadas apenas no livro Contos Inacabados, compilação de histórias de Tolkien publicados após a sua morte. Todos se tratando de eventos que aconteceram antes, durante e depois de O Hobbit, mas que tinham contexto na história contada aqui. Gênial! Peter Jackson, como bom fã, não está apenas adaptando o livro, mas sim dando continuidade ao trabalho de Tolkien.
Outro problema que os roteiristas enfrentaram foi a completa ausência de um vilão neste primeiro filme. O dragão Smaug não tinha a possibilidade de fazer isso sem estragar completamente a obra, pois o trecho do livro presente no longa não mostra nada além da viagem dos anões até a Montanha Solitária. Desta forma Azog foi adicionado à trama. O rei orc de Moria foi introduzido de forma bem inteligente e serviu como um antagonista interessante, enquanto os outros dois vilões são apenas apresentados ao espectador: Smaug e o misterioso Necromante, cujo não temos nenhuma informação de importância no livro, mas que um dia viria a se tornar o maior inimigo da Terra-Média.
A presença de Azog tornou Thorin um personagem mais complexo e fez suas motivações mais compreensíveis para o público, dando um plano de fundo a um personagem que no livro se sustenta apenas pelo que dizem dele e pelo pouco que é desenvolvido dentro da linha principal da história.
A ação foi uma grata surpresa. Ela quase não existe no romance, então praticamente todas as cenas vistas em Uma Jornada Inesperada foram adicionadas para encorpar a obra e torná-la mais dinâmica. Funcionou e muito bem, os principais momentos do filme foram pautados por elas.
Além dos personagens da trilogia anterior que reaparecem no filme, os atores que interpretam os anões se encaixaram na história como se tivessem de fato saído dela. Mas o destaque é todo para a interpretação magistral de Martin Freeman, que parece ter sangue de hobbit correndo nas veias.
Tecnicamente, não há do que reclamar. As criaturas atingiram um nível incrível de perfeição. Os três trolls chegam a ser nojentos de verdade, enquanto wargs, goblins e orcs nunca estiveram tão fisicamente presentes, sem falar em Gollum, que retoma sua coroa como um dos melhores personagem 3D já criados, com um modelo ainda mais detalhado e capaz de mais nuances de expressão, na atuação ainda mais brilhante de Andy Serkis. Igualmente incríveis são os cenários fantásticos, como Valfenda e Erebor. Apesar disso, o filme peca pelo uso excessivo, talvez até necessário, da computação gráfica no lugar de atores e maquiagem.
Enfim, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada funciona como filme e adaptação, mas faz mais que isso, ele dá ainda mais profundidade à uma Terra-Média que já havia sido bem detalhada nos três longas anteriores. Claro, o filme não tem todo aquele clima épico do Senhor dos Anéis, mas se trata apenas da introdução da aventura de Bilbo e dos anões. Que venham os próximos capítulos dessa jornada inesquecível!
Entrelinhas
Assistir O Hobbit na mais nova tecnologia HFR é uma experiência ainda mais realista.
A resolução em 48 quadros por segundo nos dá uma clareza de imagem e movimento tamanha, que nos sentimos como na primeira vez que assistimos uma imagem em HD nas televisões convencionais LCD. Vale a pena dar uma conferida, O Hobbit é quase hiper-realista nessa versão. Tem hora que não sabemos se estamos ainda na sala de projeção ou se se estamos correndo e lutando junto com Bilbo e os anões.
Os hobbits são criaturas tranquilas, que adoram ficar em casa fumando cachimbo, e Bilbo não é diferente. Mas sua vida muda quando o mago Gandalf arranja um jantar surpresa na casa do hobbit e convida 13 anões sem avisá-lo. Eles planejam atravessar a Terra-Média, vencer um dragão e recuperar o reino perdido do príncipe anão Thorin. Por ser pequeno e silencioso, eles querem Bilbo no papel de ladrão na jornada. Sem querer, um espírito aventureiro é desperto dentro do pequeno hobbit e ele decide seguir jornada com os anões. Esse é só o início da maior aventura de sua vida.
Após assistir Uma Jornada Inesperada, dá pra dizer sem medo que Peter Jackson conseguiu outra vez. Ele trouxe de volta a magia que já tinha encontrado e cultivado nos três filmes anteriores, mas não sem dar a este a atmosfera mais leve que ele deveria ter.
O Hobbit é muito mais dinâmica do que a trilogia do anel, nele Tolkien não se perdeu em descrições e explicações: tudo é mais direto ao ponto, mais inocente e os alívios cômicos quase inexistentes na saga de Frodo são abundantes aqui. O Senhor dos Anéis tem um enredo muito mais complexo, desprovido de muito humor e com temas morais e filosóficos bem mais desenvolvidos. As diferenças entre as duas obras podem ser perturbadoras para alguns leitores, e você deve ter essa diferença clara em mente quando entrar na sala de cinema para ver o filme. Muitas dessas diferenças surgiram porque Tolkien escreveu O Hobbit como uma história para crianças, e O Senhor dos Anéis para o mesmo público, que posteriormente tinha crescido desde a sua publicação.
No romance, muitas das cenas são extremamente curtas, de forma que se fossem representadas no filme não teriam mais que dois ou três minutos cada. Então a adição de falas e ações foram necessárias, além de modificações no enredo que procuram adequar cenas que não funcionariam tão bem no cinema quanto funcionaram no livro, como dar aos personagens propósitos mais profundos e mais bem explicados que na obra literária - os anões no livro querem apenas o ouro escondido na montanha, no filme eles querem recuperar o lar usurpado pelo dragão.
Ficou claro nesse filme que a intenção de Peter em retornar a franquia não era a de só contar a história de Bilbo, mas, sim, de ligá-la e entrelaçar a trama com a do Senhor dos Aneis, já que Tolkien ao morrer ainda trabalhava tentando estabelecer as pontes entre as duas obras. Caso não saiba, quando Tolkien escreveu O Hobbit ele ainda não tinha em mente a história do SdA. Por esse motivo, vários dos elementos presentes na obra do hobbit e que não foram desenvolvidos nesse romance foram posteriormente retomados e desenvolvidos em o SdA.
É justamente aqui que entra o toque mágico de Peter Jackson. Para ajudar a encorpar a história do filme (não estava claro como que o pequeno livro – de 298 páginas – renderia material para três longas de quase três horas cada) ele optou por adicionar diversas cenas não descritas no livro, mas contadas apenas no livro Contos Inacabados, compilação de histórias de Tolkien publicados após a sua morte. Todos se tratando de eventos que aconteceram antes, durante e depois de O Hobbit, mas que tinham contexto na história contada aqui. Gênial! Peter Jackson, como bom fã, não está apenas adaptando o livro, mas sim dando continuidade ao trabalho de Tolkien.
Outro problema que os roteiristas enfrentaram foi a completa ausência de um vilão neste primeiro filme. O dragão Smaug não tinha a possibilidade de fazer isso sem estragar completamente a obra, pois o trecho do livro presente no longa não mostra nada além da viagem dos anões até a Montanha Solitária. Desta forma Azog foi adicionado à trama. O rei orc de Moria foi introduzido de forma bem inteligente e serviu como um antagonista interessante, enquanto os outros dois vilões são apenas apresentados ao espectador: Smaug e o misterioso Necromante, cujo não temos nenhuma informação de importância no livro, mas que um dia viria a se tornar o maior inimigo da Terra-Média.
A presença de Azog tornou Thorin um personagem mais complexo e fez suas motivações mais compreensíveis para o público, dando um plano de fundo a um personagem que no livro se sustenta apenas pelo que dizem dele e pelo pouco que é desenvolvido dentro da linha principal da história.
A ação foi uma grata surpresa. Ela quase não existe no romance, então praticamente todas as cenas vistas em Uma Jornada Inesperada foram adicionadas para encorpar a obra e torná-la mais dinâmica. Funcionou e muito bem, os principais momentos do filme foram pautados por elas.
Além dos personagens da trilogia anterior que reaparecem no filme, os atores que interpretam os anões se encaixaram na história como se tivessem de fato saído dela. Mas o destaque é todo para a interpretação magistral de Martin Freeman, que parece ter sangue de hobbit correndo nas veias.
Tecnicamente, não há do que reclamar. As criaturas atingiram um nível incrível de perfeição. Os três trolls chegam a ser nojentos de verdade, enquanto wargs, goblins e orcs nunca estiveram tão fisicamente presentes, sem falar em Gollum, que retoma sua coroa como um dos melhores personagem 3D já criados, com um modelo ainda mais detalhado e capaz de mais nuances de expressão, na atuação ainda mais brilhante de Andy Serkis. Igualmente incríveis são os cenários fantásticos, como Valfenda e Erebor. Apesar disso, o filme peca pelo uso excessivo, talvez até necessário, da computação gráfica no lugar de atores e maquiagem.
Enfim, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada funciona como filme e adaptação, mas faz mais que isso, ele dá ainda mais profundidade à uma Terra-Média que já havia sido bem detalhada nos três longas anteriores. Claro, o filme não tem todo aquele clima épico do Senhor dos Anéis, mas se trata apenas da introdução da aventura de Bilbo e dos anões. Que venham os próximos capítulos dessa jornada inesquecível!
Entrelinhas
Assistir O Hobbit na mais nova tecnologia HFR é uma experiência ainda mais realista.
A resolução em 48 quadros por segundo nos dá uma clareza de imagem e movimento tamanha, que nos sentimos como na primeira vez que assistimos uma imagem em HD nas televisões convencionais LCD. Vale a pena dar uma conferida, O Hobbit é quase hiper-realista nessa versão. Tem hora que não sabemos se estamos ainda na sala de projeção ou se se estamos correndo e lutando junto com Bilbo e os anões.
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